Rondônia, 13 de Setembro de 2026
PF deflagra Operação Lage em Chamas contra grilagem e incêndio criminoso em terra indígena de Rondônia

PF deflagra Operação Lage em Chamas contra grilagem e incêndio criminoso em terra indígena de Rondônia

Ação cumpre cinco mandados de busca e aprofunda investigação sobre invasões e desmatamento

Porto Velho, RO - A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (10/12), a Operação Lage em Chamas, com o objetivo de combater crimes de grilagem de terras públicas e incêndio criminoso na Terra Indígena Igarapé Lage, localizada entre os municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim, em Rondônia. Cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, foram cumpridos.

Grilagem e desmatamento em larga escala

As investigações indicam que um grupo criminoso promoveu a ocupação ilegal da área, com desmatamento extenso e posterior divisão da terra indígena em lotes para venda. Desde o final de 2022, mais de 800 hectares já foram desmatados na região.

O esquema criminoso teria chegado a parcelar ilegalmente cerca de 70 km² em aproximadamente 100 lotes, mesmo sendo a área de propriedade da União e de uso exclusivo das comunidades indígenas.

Incêndio criminoso contra família indígena

Outro ponto investigado é o ataque ocorrido em agosto de 2024, quando sete indivíduos encapuzados invadiram a TI Igarapé Lage, efetuaram disparos de arma de fogo e incendiaram uma residência e uma motocicleta. A ação obrigou uma família — incluindo crianças — a fugir para sobreviver.

A Polícia Federal apura se os mesmos suspeitos envolvidos na grilagem são responsáveis pelo ataque, considerado uma forma de coação para expulsar indígenas do território.

Histórico de ações na região

A Terra Indígena Igarapé Lage, demarcada em 1981, abriga cerca de mil habitantes distribuídos em mais de seis aldeias. A região tem sido alvo constante de invasões.

Entre 2024 e 2025, a PF, com apoio de forças de segurança, órgãos ambientais e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), realizou 10 operações no local. As ações resultaram em:

    * retirada de dezenas de invasores;
    * inutilização de estruturas clandestinas;
    * apreensão de madeira, veículos e equipamentos;
    * destruição de pontos de extração ilegal;
    * demolição de pontes usadas para facilitar invasões.


Mandados e novos alvos

A partir da análise de materiais recolhidos em operações anteriores, novos envolvidos foram identificados. Esses elementos levaram ao cumprimento dos mandados de busca desta quarta-feira.

Crimes investigados

Os investigados poderão responder por:

    * ocupação ilegal de terras públicas;
    * desmatamento;
    * associação criminosa;
    * incêndio criminoso;
    * ataque armado contra família indígena.


As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem