Rondônia, 13 de Setembro de 2026
Justiça Federal suspende obras de Rondônia em área disputada no entorno do Aeroporto de Porto Velho

Justiça Federal suspende obras de Rondônia em área disputada no entorno do Aeroporto de Porto Velho

No processo, MPF se manifestou a favor da suspensão das obras até que o domínio da área seja definido (Foto: Marcelo Gladson/ Voz de Rondônia)

Porto Velho, RO - A Justiça Federal acatou manifestação do Ministério Público Federal (MPF) e determinou a suspensão imediata de qualquer obra ou intervenção do governo de Rondônia na chamada Área C, localizada no perímetro do Aeroporto Internacional de Porto Velho e da Base Aérea de Rondônia.

A medida vale até que seja definida, judicialmente, a titularidade do terreno, em disputa entre a União e o Estado. Uma audiência de conciliação foi marcada para 16 de dezembro de 2025, em formato virtual.

Disputa pela propriedade

A controvérsia chegou ao Judiciário em 2024, quando a União entrou com uma ação civil pública questionando as matrículas registradas em nome do estado de Rondônia no 1º Serviço Registral de Porto Velho. Segundo o governo federal, o registro estadual é inválido porque não haveria título dominial que justificasse a transferência.

A União sustenta que a criação do estado de Rondônia pela Lei Complementar nº 41/1981 não transferiu automaticamente todos os bens do extinto Território Federal do Guaporé, sobretudo os de uso especial, como áreas destinadas à Aeronáutica e à infraestrutura aeroportuária.

Também afirma que a Área C está vinculada ao serviço público federal há mais de 50 anos, com base no Decreto nº 797/1976 e em atos administrativos posteriores.

Posição do Estado

O governo de Rondônia rebate, afirmando que a União tenta promover uma espécie de desapropriação indireta de bem público estadual. Para o estado, a propriedade da Área C passou ao seu domínio com a LC 41/1981.

Sobre o Decreto nº 797/1976, o estado afirma que houve apenas destinação de uso à Aeronáutica, e não transferência da propriedade. Alega ainda exercer posse contínua e pacífica há mais de 12 anos, com realização de investimentos públicos.

O estado também cita manifestação da Força Aérea Brasileira, em 2023, na qual teria havido desinteresse sobre parte do terreno, inclusive com incentivo para uso por órgãos estaduais.

Riscos e conflitos no local

O MPF relatou ao processo que a falta de definição sobre o domínio já gerou conflitos, incluindo uma ocorrência policial em que a Aeronáutica teria retirado materiais à força e bloqueado atividades de uma construtora contratada pelo estado.

O órgão também concordou com a União quanto aos riscos operacionais e ambientais, afirmando que obras estaduais estariam:

    * comprometendo a segurança do sítio aeroportuário,
    * interferindo na destinação legal da área,
    * e aumentando a vulnerabilidade com a retirada de cercas — o que teria facilitado invasões, descarte irregular de materiais e extração ilegal de cascalho.


Decisão

Embora tenha rejeitado pedidos urgentes da União para reconhecimento imediato da propriedade federal e cancelamento das matrículas estaduais, a Justiça determinou a suspensão de todas as obras estaduais até o julgamento final da ação.

Processo: Ação civil pública nº 1017273-86.2024.4.01.4100

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