Rondônia, 24 de maio de 2026
Trump Jr. atribui avanço da direita na América Latina ao fim da Usaid

Trump Jr. atribui avanço da direita na América Latina ao fim da Usaid

Filho do presidente americano afirma, sem apresentar evidências, que a agência financiava organizações ligadas à esquerda; declaração ocorre após primeiro turno da eleição brasileira

Porto Velho, RO - Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu nesta segunda-feira (5) o desempenho eleitoral da direita na América Latina ao desmonte da Usaid, agência americana de ajuda internacional praticamente extinta pelo governo republicano.

Em publicação nas redes sociais, Trump Jr. afirmou que, desde o desmantelamento da agência, a esquerda não teria vencido nenhuma eleição presidencial na América Latina. A declaração foi feita horas após o resultado do primeiro turno da eleição brasileira, que levou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ao segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Trump Jr. afirmou, sem apresentar evidências para sustentar a alegação, que bilhões de dólares dos contribuintes americanos eram destinados a organizações não governamentais, programas de promoção da democracia e redes de ativistas que, segundo ele, apoiariam sistematicamente o mesmo campo político.

O filho do presidente americano classificou essas iniciativas como uma forma de “interferência eleitoral” e agradeceu a Elon Musk pelo papel que atribuiu ao empresário nos primeiros esforços do governo Trump para desmontar a estrutura da Usaid.

Musk também comentou o cenário eleitoral brasileiro. Em uma publicação, compartilhou uma reportagem sobre o Brasil e afirmou que a Usaid teria participado de interferências eleitorais e de mudanças de regime em diferentes países, provocando conflitos.

As alegações fazem parte de uma narrativa defendida por aliados de Trump segundo a qual programas americanos de financiamento a organizações da sociedade civil e iniciativas de promoção da democracia teriam favorecido grupos de esquerda no exterior. A acusação é contestada por organizações beneficiárias e por ex-integrantes do governo americano.

Relação com a família Bolsonaro

Trump Jr. mantém há anos uma relação próxima com integrantes da família Bolsonaro, especialmente com o deputado Eduardo Bolsonaro. Os dois se conheceram em 2018 e passaram a participar de eventos e iniciativas ligados à direita conservadora internacional.

Em 2021, Trump Jr. participou por vídeo da CPAC Brasil, organizada por Eduardo Bolsonaro. No ano seguinte, declarou apoio à candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição e afirmou que o então presidente seria a pessoa capaz de impedir o avanço do socialismo e do comunismo na América do Sul.

Em janeiro de 2025, Trump Jr. voltou a se encontrar com Eduardo Bolsonaro durante as celebrações que antecederam a posse de Donald Trump, em Washington.

A aproximação entre os grupos ocorre em um momento de crescente atenção internacional sobre a eleição brasileira. Antes do primeiro turno, autoridades brasileiras chegaram a compartilhar com representantes europeus informações sobre supostas interferências estrangeiras, enquanto o governo americano rejeitou acusações de interferência eleitoral.

Governo Trump acompanha eleição brasileira

O resultado do primeiro turno colocou Flávio Bolsonaro e Lula na disputa pelo segundo turno. Flávio terminou à frente, com aproximadamente 47% dos votos, contra 45% de Lula, segundo dados reportados pela Reuters. 

Questionado sobre o resultado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou apenas que a eleição havia chegado ao segundo turno, sem declarar apoio público a nenhum dos candidatos.

Donald Trump também comentou a votação, mas não declarou apoio formal a Lula ou Flávio Bolsonaro. Em uma publicação após a apuração, o presidente americano elogiou a rapidez da contagem, mas inicialmente confundiu o Brasil com a Índia ao mencionar o número de eleitores. Posteriormente, corrigiu a publicação.

O segundo turno da eleição presidencial brasileira está marcado para 25 de outubro. A disputa ocorre em meio a tensões entre Brasília e Washington e a acusações mútuas sobre possível influência estrangeira no processo eleitoral. O governo dos Estados Unidos nega ter interferido na eleição brasileira.

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