Filosofia de vida é aplicada na rotina da maioria dos japoneses para que a convivência seja algo leve, mesmo em maio ao caos das grandes metrópoles
Ruas apertadas e muito populosas de Tóquio motivaram o estabelecimento de regras sociais de forma silenciosa • Magnific
Porto Velho, RO - É muito comum encontrar nas cidades do Japão pessoas que se preocupam em não incomodar as outras. As ruas não possuem muito lixo jogado no chão, a ordem e o respeito são seguidos no metrô e a empatia da população um é praticada por meio de gestos sutis.
No país, é levado a sério o conceito de "meiwaku o kakenai", que significa “não causar problemas aos outros”. Esse estilo de vida convida todas as pessoas a refletirem sobre o impacto de sua existência na vida de outras pessoas.
Porto Velho, RO - É muito comum encontrar nas cidades do Japão pessoas que se preocupam em não incomodar as outras. As ruas não possuem muito lixo jogado no chão, a ordem e o respeito são seguidos no metrô e a empatia da população um é praticada por meio de gestos sutis.
No país, é levado a sério o conceito de "meiwaku o kakenai", que significa “não causar problemas aos outros”. Esse estilo de vida convida todas as pessoas a refletirem sobre o impacto de sua existência na vida de outras pessoas.
Entenda a tradição
De acordo com a escritora americana de origem japonesa Emiko Takahashi, “meiwaku” é traduzido como problema ou incômodo, enquanto “kakenai” fala sobre se abster de causar ou impor.
Na prática, essa espécie de mandamento social é percebida quando uma pessoa abaixa o tom da voz ao entrar em um trem, quando usa a máscara para proteger as outras pessoas de germes ou quando alguém dá um passo para o lado em um espaço estreito para que você possa passar.
O Japão é um país em que a ideia de vida comunitária é historicamente intrínseca na sociedade. As cidades lotadas e apertadas motivaram o pensamento coletivo, e não apenas individual. A antiga cidade de Edo, atual Tóquio, era um modelo de coordenação urbana para outras regiões do país.
O fato de comerciantes e famílias dividirem paredes em construções feitas em ruas tão estreitas mostrava que a perturbação a vizinhos era uma questão tanto prática quanto moral, o que incentivava a harmonia social. Com o passar do tempo, o sossego se tornou algo essencial para a sobrevivência.
As crianças no Japão aprendem o "meiwaku o kakenai" desde muito novas. Pais, professores e os mais velhos se encarregam de passarem os ensinamentos conforme vivenciam experiências com os pequenos, seja no transporte público, nos parques ou até mesmo em casa.
Seguir esse lema não quer dizer que os japoneses não causem problemas uns aos outros, mas em uma sociedade tão populosa e diversa, o mínimo de respeito à individualidade do outro importa — e muito.
De acordo com a escritora americana de origem japonesa Emiko Takahashi, “meiwaku” é traduzido como problema ou incômodo, enquanto “kakenai” fala sobre se abster de causar ou impor.
Na prática, essa espécie de mandamento social é percebida quando uma pessoa abaixa o tom da voz ao entrar em um trem, quando usa a máscara para proteger as outras pessoas de germes ou quando alguém dá um passo para o lado em um espaço estreito para que você possa passar.
O Japão é um país em que a ideia de vida comunitária é historicamente intrínseca na sociedade. As cidades lotadas e apertadas motivaram o pensamento coletivo, e não apenas individual. A antiga cidade de Edo, atual Tóquio, era um modelo de coordenação urbana para outras regiões do país.
O fato de comerciantes e famílias dividirem paredes em construções feitas em ruas tão estreitas mostrava que a perturbação a vizinhos era uma questão tanto prática quanto moral, o que incentivava a harmonia social. Com o passar do tempo, o sossego se tornou algo essencial para a sobrevivência.
As crianças no Japão aprendem o "meiwaku o kakenai" desde muito novas. Pais, professores e os mais velhos se encarregam de passarem os ensinamentos conforme vivenciam experiências com os pequenos, seja no transporte público, nos parques ou até mesmo em casa.
Seguir esse lema não quer dizer que os japoneses não causem problemas uns aos outros, mas em uma sociedade tão populosa e diversa, o mínimo de respeito à individualidade do outro importa — e muito.
Quais passos se deve seguir?
Para conviver bem em sociedade, o "meiwaku o kakenai" convida pessoas a seguirem alguns passos:
Para conviver bem em sociedade, o "meiwaku o kakenai" convida pessoas a seguirem alguns passos:
* Observar antes de agir: fazer uma varredura visual antes de se portar em um ambiente.
* Consideração proativa: agir de forma que o espaço das pessoas seja respeitado na rotina, como mover a bolsa para alguém passar ou agradecer quando alguém oferece ajuda.
* Distinguir necessidades de urgência: entender se algo é realmente urgente ou se algo pode esperar, para reduzir encargos desnecessários sobre as pessoas.
* Reconhecer os deslizes: saber quando você é responsável por possíveis perturbações e pedir desculpas quando algo nesse sentido ocorre.
* Praticar em espaços públicos: cultivar a ética em trens, parques e nas ruas.
É importante, no entanto, que o "meiwaku o kakenai" não perca sua essência. O lema não é autoanulação ou submissão, tampouco uma formalidade que deve ser cumprida. Deve ser uma prática ativa e contínua de empatia.
Discussões honestas são válidas, assim como esperar por reciprocidade é algo completamente normal. A verdadeira consideração não deve ser performática, mas deve prosperar em ações mais silenciosas e genuínas.
* Consideração proativa: agir de forma que o espaço das pessoas seja respeitado na rotina, como mover a bolsa para alguém passar ou agradecer quando alguém oferece ajuda.
* Distinguir necessidades de urgência: entender se algo é realmente urgente ou se algo pode esperar, para reduzir encargos desnecessários sobre as pessoas.
* Reconhecer os deslizes: saber quando você é responsável por possíveis perturbações e pedir desculpas quando algo nesse sentido ocorre.
* Praticar em espaços públicos: cultivar a ética em trens, parques e nas ruas.
É importante, no entanto, que o "meiwaku o kakenai" não perca sua essência. O lema não é autoanulação ou submissão, tampouco uma formalidade que deve ser cumprida. Deve ser uma prática ativa e contínua de empatia.
Discussões honestas são válidas, assim como esperar por reciprocidade é algo completamente normal. A verdadeira consideração não deve ser performática, mas deve prosperar em ações mais silenciosas e genuínas.
Fonte: CNN Brasil
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