
O mercado financeiro brasileiro iniciou a segunda-feira (26) com forte instabilidade após a confirmação da vitória de Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. O dólar comercial avançou mais de 10% durante a manhã, chegando a R$ 5,60, enquanto o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira, registrou queda superior a 16%.
Por volta das 10h50, a moeda norte-americana subia 10,28%, cotada a R$ 5,5063. Durante as negociações, chegou à máxima de R$ 5,6048. No mesmo período, o Ibovespa recuava 16,59%, aos 171.061 pontos, depois de atingir a mínima de 169.516 pontos.
A intensidade da queda levou a B3 a interromper temporariamente as negociações por meio do mecanismo conhecido como circuit breaker. A paralisação ocorreu após o índice registrar recuo superior a 10% nos primeiros minutos do pregão, com o objetivo de reduzir a volatilidade e permitir que os investidores reavaliassem suas posições.
Resultado eleitoral influencia expectativas econômicas
A reeleição de Lula alterou as expectativas de parte dos investidores, que passaram a avaliar os possíveis impactos do novo mandato sobre a política fiscal, os juros, o câmbio e as contas públicas. O resultado eleitoral foi apontado como um dos principais fatores por trás das oscilações observadas no mercado brasileiro.
Durante as semanas anteriores à votação, pesquisas eleitorais indicavam diferentes cenários para a disputa presidencial. A confirmação do resultado levou agentes financeiros a rever suas projeções para a economia e para o comportamento dos ativos brasileiros.
Entre os pontos acompanhados pelo mercado estão a evolução da dívida pública, o controle das despesas governamentais e o cumprimento das metas fiscais. As decisões econômicas que serão adotadas pelo governo também devem influenciar a percepção de risco dos investidores.
O que significa o circuit breaker
O circuit breaker é um mecanismo utilizado pela Bolsa de Valores para suspender temporariamente as negociações em momentos de quedas acentuadas. A medida busca conter movimentos desordenados e oferecer tempo para que os participantes do mercado avaliem as condições financeiras.
O acionamento do mecanismo ocorre conforme os limites de variação estabelecidos pela bolsa. Depois do período de interrupção, as negociações podem ser retomadas, desde que sejam observadas as regras aplicáveis ao pregão.
Um dos episódios mais conhecidos de utilização do mecanismo aconteceu em março de 2020, durante o início da pandemia de Covid-19, quando a bolsa brasileira registrou sucessivas interrupções diante das perdas nos mercados internacionais.
Petróleo e decisões de bancos centrais também estão no radar
Além do cenário político brasileiro, os investidores acompanham os preços internacionais do petróleo e as decisões de política monetária de importantes bancos centrais. As expectativas em torno dos juros nos Estados Unidos, na Europa e no Japão também influenciam as movimentações dos mercados globais.
Na manhã desta segunda-feira, os contratos internacionais de petróleo apresentavam desvalorização. O barril do Brent recuava 1,20%, cotado a US$ 115,32, enquanto o WTI registrava queda de 1,74%, negociado a US$ 101,47, segundo as cotações informadas durante o pregão.
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários operavam em alta naquele período, enquanto as bolsas asiáticas encerraram o dia com resultados variados. Na Europa, predominavam as altas entre os principais indicadores acompanhados pelos investidores.
O comportamento do dólar e da Bolsa brasileira continuará condicionado à avaliação do cenário político, às decisões econômicas do governo e aos indicadores nacionais e internacionais. As oscilações registradas no início do pregão refletem a reação dos investidores às novas expectativas e ao ambiente de incerteza no mercado financeiro.
Fonte: informações de mercado atribuídas ao g1 e à agência Reuters, referentes ao pregão de 26 de outubro de 2026.