Porto Velho, RO - O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta terça-feira (21) a segunda fase da Operação Labirinto de Bronze, que investiga, em tese, crimes de lavagem de dinheiro e constituição e manutenção de milícia privada.
A nova etapa é um desdobramento da operação iniciada em 26 de maio de 2026, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão e adotadas medidas de constrição patrimonial em Ariquemes, Cujubim e Porto Velho.
Nesta terça-feira, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, além de um mandado de busca e apreensão em Ariquemes. Também foram determinadas medidas cautelares diversas da prisão contra uma das investigadas. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho.
Segundo o MPRO, a segunda fase foi deflagrada após o avanço das investigações e a análise de aparelhos eletrônicos e documentos apreendidos na primeira etapa. Os novos elementos, conforme o órgão, reforçaram os indícios da existência de uma estrutura armada e hierarquizada, com divisão de tarefas, voltada à atuação em conflitos fundiários, além de um esquema destinado à ocultação e dissimulação de patrimônio.
As diligências também permitiram, de acordo com o Ministério Público, individualizar a participação de outros investigados cuja atuação ainda não estava suficientemente delimitada durante a primeira fase.
Novas medidas patrimoniais
A Justiça também autorizou uma medida assecuratória patrimonial complementar, solicitada pelo MPRO após a identificação da participação econômica de um dos investigados em uma empresa formalmente registrada em nome de terceiro.
A medida foi requerida porque as constrições patrimoniais realizadas na primeira fase não haviam sido suficientes para alcançar o limite global de aproximadamente R$ 48 milhões estabelecido judicialmente.
Com base em novos elementos telemáticos, societários e financeiros reunidos durante as investigações, foi determinado o sequestro de 50% das quotas, direitos societários e direitos econômicos vinculados à empresa, sediada em Aparecida de Goiânia (GO).
Na primeira fase da operação, as medidas patrimoniais alcançaram valores superiores a R$ 48 milhões, incluindo bloqueios financeiros, indisponibilidade de imóveis, apreensão de veículos e constrição de 1.611 cabeças de gado bovino.
Investigação
A Operação Labirinto de Bronze é resultado de Procedimento Investigatório Criminal instaurado pelo Gaeco. Conforme o MPRO, a investigação apura a possível atuação de uma estrutura organizada e mecanismos utilizados para ocultar a origem e a titularidade de patrimônio supostamente ilícito.
A fase ostensiva da segunda etapa conta com apoio operacional da Polícia Civil de Rondônia, da Polícia Técnico-Científica (Politec/RO) e da Força-Tarefa Integrada de Combate ao Crime Organizado (Fticco).
Segundo o MPRO, o nome da operação faz referência ao histórico de fuga e evasão das ações dos órgãos de segurança pública atribuído ao principal investigado e à complexidade da estrutura de ocultação patrimonial identificada durante as investigações. Entre os mecanismos apontados estão a utilização de empresas, movimentações financeiras fracionadas, interpostas pessoas e patrimônio rural.
O Ministério Público informou que mantém as investigações para apurar a extensão da estrutura investigada e eventual participação de outros envolvidos.
Fonte: MP/RO