Rondônia, 13 de Setembro de 2026
Trump veta África do Sul e convida Polônia para participar de “um novo G20”

Trump veta África do Sul e convida Polônia para participar de “um novo G20”

Líder americano assume a presidência do grupo e tenta redesenhar seu foco e sua composição

Porto Velho, RO - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vetou a participação da África do Sul nas próximas reuniões do G20 e convidou a Polônia para assumir o lugar do país africano no grupo das maiores economias do mundo. A medida integra o esforço da Casa Branca para remodelar o bloco e criar o que o governo americano passou a chamar de “um novo G20”, estratégia que já desencadeou intensa disputa diplomática com Pretória.

Veja o vídeo abaixo:

 

Acusações e retaliações

Trump acusa — sem apresentar evidências — o governo sul-africano de perseguir a minoria branca e de promover desapropriações de terras sem compensação. Essa narrativa foi usada para justificar o boicote americano à cúpula de Joanesburgo, no fim de novembro, e as retaliações anunciadas desde que os EUA assumiram a presidência rotativa do G20, em dezembro.

Na semana passada, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou o veto:

“O presidente Trump e os Estados Unidos não estenderão um convite ao governo sul-africano para participar do G20 durante nossa presidência.”

No mesmo comunicado, Rubio confirmou o convite para a Polônia, classificada como “parceiro natural dos EUA”.

Polônia ganha espaço

Rubio exaltou o crescimento econômico polonês e a aliança estratégica com Washington, afirmando:

“Convidaremos amigos, vizinhos e parceiros. A Polônia, antes atrás da Cortina de Ferro, hoje está entre as 20 maiores economias do mundo.”

A Polônia, que recentemente elegeu o nacionalista de direita Karol Nawrocki como presidente, já vinha negociando a entrada no bloco, segundo o ministro das Relações Exteriores, Radosław Sikorski.

Boicote crescente à África do Sul

Durante a presidência sul-africana do G20, os EUA atuaram para bloquear temas da agenda, travar negociações e impedir o comunicado final da cúpula. Rubio intensificou as críticas:

    * acusou o governo sul-africano de “racismo” e violência contra africâneres
    * criticou a gestão econômica e supostos confiscos de terras
    * classificou a cúpula de Joanesburgo como “agenda radical”


Os americanos rejeitam temas centrais do multilateralismo — mudanças climáticas, diversidade, inclusão e cooperação internacional — e pretendem reorientar o G20 exclusivamente para:

    1 redução de entraves regulatórios
    2 cadeias de suprimento de energia
    3 tecnologia e inovação


Rubio chegou a condicionar o retorno da África do Sul ao grupo a uma mudança de governo no país:

“Os EUA apoiam o povo sul-africano, não seu governo radical liderado pelo ANC.”

Reuniões já agendadas

A primeira rodada de encontros do G20 sob presidência americana, com participação do Brasil, ocorrerá em 15 e 16 de dezembro, em Washington, com novas reuniões ao longo de 2026. Trump planeja encerrar sua gestão no bloco sediando a cúpula final em Mar-a-Lago, na Flórida.

Reação internacional

Até o momento, os demais membros do G20 não se pronunciaram sobre o veto à África do Sul. Como decisões do bloco costumam ocorrer por consenso, a medida deve provocar forte debate interno.

Atualmente, o G20 é composto por 19 países, além da União Europeia e da União Africana.




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