TCE aponta 14 irregularidades graves em UBS de Ariquemes e dá 180 dias para correções; gestão municipal é notificada

TCE aponta 14 irregularidades graves em UBS de Ariquemes e dá 180 dias para correções; gestão municipal é notificada

Decisão do TCE-RO joga luz sobre problemas que não deveriam mais existir em 2025. Município tem 180 dias para tentar consertar o que é, na prática, um sistema remendado

Porto Velho, RO - Ariquemes, um dos principais polos do interior rondoniense, amanheceu sob o impacto de uma decisão que confirma aquilo que usuários do SUS relatam há anos: as Unidades Básicas de Saúde do município estão longe do funcionamento mínimo aceitável.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) publicou determinação após uma inspeção realizada entre 21 e 25 de junho de 2025, revelando falhas profundas que ultrapassam questões burocráticas e afetam diretamente o atendimento aos moradores.

14 falhas que escancaram o colapso da atenção básica

O relatório elaborado pela CECEX 8 identificou 14 irregularidades, muitas delas já denunciadas pela população. Entre os achados mais preocupantes estão:

    * Ausência de agentes comunitários de saúde em áreas inteiras do município;
    * Déficit de dentistas e estrutura odontológica insuficiente;
    * Mobiliário deteriorado e equipamentos quebrados — incluindo cadeiras de rodas em condições precárias;
    * Falta de medicamentos essenciais;
    * Controle de estoque manual e propenso a erros;
    * Armazenamento inadequado de resíduos de saúde;
    * Ausência de protocolos, indicadores e fluxos mínimos de atendimento;
    * Estruturas físicas comprometidas e risco elétrico.


Para o TCE, trata-se de um conjunto de falhas que minam a porta de entrada do SUS e colocam em risco a segurança de pacientes e servidores.

Gestores citados, mas ainda sem punição

A decisão cita três responsáveis diretos pela situação:

    Carla Gonçalves Rezende, prefeita;
    Marcos Paiva Freitas, secretário municipal de Saúde;
    Sônia Felix de Paula Maciel, controladora-geral.

Apesar das constatações, esta fase não é punitiva. O Tribunal estabeleceu 180 dias para que os gestores adotem medidas de correção. Caso as pendências persistam após o prazo, a Corte poderá avançar para responsabilizações administrativas e outras sanções cabíveis.

UBS operando com improviso e risco sanitário

As constatações vão desde portas, instalações e mobiliário danificados até redes elétricas comprometidas, colocando pacientes e servidores em situação de risco. Há ainda falhas na logística de medicamentos, que segue sendo feita de forma manual, vulnerável e ineficiente.

A ausência de agentes comunitários de saúde em diversas áreas deixa populações vulneráveis sem acompanhamento. E a limitação de exames e testes rápidos impacta diretamente diagnósticos, inclusive pré-natal — um atraso que pode custar vidas.

O Tribunal exige o básico — porque o básico falhou

O TCE-RO determinou que Ariquemes adote uma série de medidas que deveriam ser rotina em qualquer unidade de saúde:

    * Disponibilizar equipes e escalas de atendimento ao público;
    * Suprir a falta de agentes comunitários;
    * Reforçar o atendimento odontológico;
    * Corrigir estruturas físicas e mobiliário;
    * Implantar protocolos de atendimento e fluxos assistenciais;
    * Digitalizar o controle de estoque;
    * Regularizar o armazenamento e descarte de resíduos;
    * Implementar acompanhamento com indicadores.


Para o Tribunal, a situação revela improviso administrativo e falta de planejamento — falhas incompatíveis com a responsabilidade de gerir a porta de entrada do SUS.

180 dias para mudar a realidade

O TCE voltará às UBS no final do prazo para verificar se as determinações foram cumpridas. Se houver avanços, o processo pode ser concluído sem penalidades. Se não, abre-se espaço para medidas mais severas.

A decisão funciona como um espelho colocado diante da gestão municipal — e o reflexo, segundo o próprio Tribunal, não é positivo.

Ariquemes, cidade em expansão e destaque regional, agora tem a oportunidade — e a obrigação — de tirar a saúde básica do improviso e entregar à população um atendimento digno, seguro e eficiente.

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