Operação Polígrafo: MP denuncia 12 por fraude em testes de Covid-19; esquema envolve ex-secretário adjunto e Cônsul Honorário da Índia

Operação Polígrafo: MP denuncia 12 por fraude em testes de Covid-19; esquema envolve ex-secretário adjunto e Cônsul Honorário da Índia

A ação busca proteger os recursos públicos destinados à saúde da população rondoniense (Foto:  Marcelo Gladson/ Voz de Rondônia)

Porto Velho, RO - O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou à Justiça, nesta terça-feira (9), denúncia contra 12 pessoas acusadas de integrar um esquema de fraude na compra de testes rápidos para detecção da Covid-19 durante a pandemia. A acusação, assinada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), é fruto da Operação Polígrafo, deflagrada em julho de 2020.

A ação pede a responsabilização dos envolvidos e o ressarcimento de mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos de Rondônia.

Fraude de R$ 10,5 milhões em testes sem registro da Anvisa

Segundo o MP, o esquema funcionou entre março de 2020 e janeiro de 2021 e envolveu a compra irregular de 100 mil testes rápidos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A aquisição foi realizada por Dispensa de Licitação, no valor total de R$ 10,5 milhões, verba destinada ao enfrentamento da pandemia.

As investigações apontam que o grupo agia de forma organizada para:

    * fraudar processos de contratação,
    * cdirecionar a escolha de fornecedores,
    * preterir empresas habilitadas,
    * entregar produtos irregulares,
    * e obter vantagens financeiras indevidas.


Quem foi denunciado

Entre os réus estão:

    * o então Secretário Adjunto de Estado de Saúde;
    * o Gerente Administrativo da Sesau/RO;
    * integrantes de duas empresas envolvidas;
    * e o então Cônsul Honorário da Índia em Rondônia.


O MPRO atribui aos denunciados a prática de diversos crimes.

Crimes contra a Administração Pública

    * Frustração do caráter competitivo de licitação
    * Fraude em contrato público
    * Tráfico de influência


Crimes contra a saúde pública

    * Falsificação, corrupção ou adulteração de produto terapêutico
    * Importação e entrega de testes sem registro sanitário


Crimes contra a fé pública

    * Falsificação de documento particular
    * Uso de documento falso
    * Falsidade ideológica
    * Falso testemunho


Todos também foram denunciados por associação criminosa e fraude processual.

Ressarcimento e medidas patrimoniais

Além das penas privativas de liberdade previstas, o Ministério Público pediu:

    * indenização por dano moral coletivo,
    * ressarcimento material superior a R$ 2,2 milhões, referentes a superfaturamento e custos logísticos pagos pelo Estado,
    * perda dos cargos públicos ocupados pelos servidores denunciados,
    * e a manutenção do bloqueio de bens já determinado pela Justiça.


Próximos passos do processo

Com o oferecimento da denúncia, cabe ao Poder Judiciário decidir sobre seu recebimento. Caso seja aceita, os acusados serão citados para apresentar defesa, dando início à fase de instrução, com coleta de provas e oitiva de testemunhas até o julgamento.

O MPRO destacou que a atuação do Gaeco busca proteger os recursos públicos destinados à saúde, especialmente no contexto crítico da pandemia, em que o uso correto dos recursos poderia significar vidas salvas.

Fonte: MP/RO

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