Correios acionam TST para mediar impasse com empregados; empresa busca flexibilizar benefícios e reduzir custos com pessoal

Correios acionam TST para mediar impasse com empregados; empresa busca flexibilizar benefícios e reduzir custos com pessoal

Funcionários, por sua vez, reivindicam reajuste ao menos pela inflação

Fachada de agência dos Correios em São Paulo - Rafaela Araújo - 12.set.25/Folhapress

Porto Velho, RO - Em meio a uma das crises financeiras mais graves de sua história, os Correios recorreram ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) para tentar mediar o impasse com os empregados sobre salários e benefícios. A empresa busca flexibilizar cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), enquanto a categoria reivindica reajuste inflacionário e manutenção dos direitos atuais.

A primeira reunião de mediação ocorreu nesta quinta-feira (11), conduzida pelo vice-presidente do TST, ministro Guilherme Caputo, responsável por tentar conciliar as partes antes da abertura de um dissídio coletivo.

Correios alegam risco à sustentabilidade financeira

A estatal afirma que alguns benefícios previstos no ACT — embora legais — tornam-se insustentáveis diante da situação financeira. No ano passado, os Correios gastaram R$ 14,55 bilhões com pessoal e, em 2024, a projeção é de R$ 15,1 bilhões, o que representa quase dois terços de todos os gastos correntes da empresa.

Ao mesmo tempo, as receitas caíram para R$ 21,5 bilhões em 2024, uma queda real de 6,6% em relação a 2023.

A direção dos Correios afirma que manter benefícios acima da CLT sem ajustes pode comprometer a recuperação financeira da estatal.

Trabalhadores pedem reajuste e manutenção dos benefícios

Os empregados, regidos pela CLT por serem funcionários de empresa pública e não de administração direta, reivindicam:

    * reajuste salarial pelo índice da inflação;
    * preservação das cláusulas do ACT vigente.


O acordo atual foi firmado em setembro de 2024 e tinha validade até 31 de julho de 2025. Desde então, vem sendo prorrogado, mas a empresa já avisou que não renovará novamente, mantendo-o válido apenas até 15 de dezembro.

Cláusulas sob revisão

O fim do ACT não reduz automaticamente todos os benefícios, mas dá à direção mais margem de gestão. Entre as cláusulas na mira da estatal está o ponto por exceção, que permite ao empregado registrar somente horas extras, sem necessidade de compensar a jornada caso saia mais cedo. Para os gestores, o dispositivo impacta a produtividade.

Outros benefícios, com custo considerado baixo, tendem a ser preservados, como o auxílio de R$ 1.030,58 para dependentes com deficiência.

Reestruturação inclui PDV e redução de quadro

O plano de reestruturação da empresa prevê:

    * desligamento de 10 mil funcionários em 2026;
    * desligamento de mais 5.000 em 2027, via Programa de Demissão Voluntária (PDV);
    * economia estimada em R$ 1,4 bilhão ao ano.


Mediação é prioridade para o TST

Segundo interlocutores do tribunal, o caso dos Correios é tratado como prioridade. A orientação é realizar reuniões longas — “com horas e horas de banco” — para evitar paralisações que prejudicariam ainda mais a operação da estatal, especialmente durante o período natalino, quando a demanda aumenta.

A meta é tentar firmar um acordo antes do Natal, mas o TST não descarta estender as conversas, inclusive durante o recesso, caso necessário.

Alguns benefícios previstos no ACT dos Correios

    * Gratificação de 70% nas férias;
    * Licença remunerada de até dois dias por mês para mulheres com sintomas graves associados ao fluxo menstrual;
    * Ponto por exceção (registro apenas de horas extras);
    * Hora extra tripla em dias de descanso remunerado ou feriados;
    * Vale-refeição de R$ 50,93 por dia, pago inclusive em férias e afastamentos;
    * Auxílio para dependentes com deficiência (R$ 1.030,58 ou mais mediante avaliação médica);
    * Reembolso-creche ou babá de até R$ 714,72;
    * Licença-saúde de até 90 dias enquanto empregado recorre contra decisão do INSS;
    * Liberação remunerada para empregados eleitos em conselhos das entidades do grupo Correios;
    * Liberação remunerada para dirigentes envolvidos em projetos de habitação para trabalhadores.


Fonte: Folha de São Paulo

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