Rondônia, 13 de Setembro de 2026
STF volta a julgar marco temporal para demarcação de terras indígenas

STF volta a julgar marco temporal para demarcação de terras indígenas

Corte ouve hoje sustentações orais das partes envolvidas

© Marcello Casal JrAgência Brasil

Porto Velho, RO - O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta quarta-feira (10) o julgamento de quatro processos que tratam da tese do marco temporal para demarcação de terras indígenas, um dos temas mais sensíveis e disputados no cenário político e jurídico do país.

Nesta primeira sessão, os ministros irão ouvir as sustentações orais das partes envolvidas. A data para a votação do mérito ainda será definida pelo presidente da Corte.

Tema volta ao plenário dois anos após decisão que declarou marco temporal inconstitucional

O debate retorna ao STF dois anos depois de o próprio tribunal decidir, em 2023, que o marco temporal é inconstitucional. Na ocasião, a maioria dos ministros entendeu que os povos indígenas têm direito às terras tradicionalmente ocupadas independentemente da data de 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a Constituição Federal.

Mesmo com a decisão do STF, o Congresso aprovou um projeto de lei restabelecendo a tese. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou trechos essenciais do texto, mas o veto foi derrubado pelo Legislativo, reinstalando a regra.

Com a derrubada dos vetos, PL, PP e Republicanos acionaram o STF para garantir a validade da lei do marco temporal. Já entidades representativas dos povos indígenas e partidos da base governista também recorreram à Corte para questionar novamente a constitucionalidade da tese.

Tese restringe direitos territoriais

Pela regra do marco temporal, os povos indígenas só teriam direito às terras que estivessem:

    * ocupadas em 5 de outubro de 1988, ou
    * em disputa judicial na mesma data.


Organizações indígenas e especialistas afirmam que essa interpretação ignora expulsões, conflitos, remoções forçadas e violências sofridas antes da Constituinte, o que tornaria o marco uma limitação artificial e injusta.

Tentativa de conciliação fracassou

Antes de retomar o julgamento, o ministro Gilmar Mendes, relator das ações, promoveu diversas reuniões de uma comissão de conciliação entre os envolvidos.

No entanto, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) — maior entidade representativa do movimento — decidiu se retirar do processo conciliatório, alegando que não havia equilíbrio e paridade no debate.

Fonte: Agência Brasil

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