Rondônia, 13 de Setembro de 2026
Inflação de novembro sobe 0,18% e IPCA volta ao limite da meta após 13 meses fora do intervalo

Inflação de novembro sobe 0,18% e IPCA volta ao limite da meta após 13 meses fora do intervalo

Resultado é o menor para o mês desde 2018

© Valter Campanato/Agência Brasil

Porto Velho, RO - A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou novembro com alta de 0,18%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o índice acumula 4,46% em 12 meses, voltando ao limite máximo da meta de inflação do governo, que é de 4,5%.

O IPCA estava fora da banda de tolerância havia 13 meses. Em outubro, o acumulado era de 4,68%; em abril, chegou a 5,53%, o maior patamar do ano.

O resultado de novembro é o menor para o mês desde 2018, quando houve deflação de –0,21%. Em outubro, a inflação havia sido de 0,09%.


Passagens aéreas puxam alta do mês

O principal impacto para a aceleração entre outubro e novembro foi a alta das passagens aéreas, que subiram 11,9%, contribuindo com 0,07 p.p. para a inflação do mês.

Veja o comportamento dos grupos pesquisados pelo IBGE:

    * Alimentação e bebidas: -0,01% (0,00 p.p.)
    * Habitação: 0,52% (0,08 p.p.)
    * Artigos de residência: -1,00% (-0,03 p.p.)
    * Vestuário: 0,49% (0,02 p.p.)
    * Transportes: 0,22% (0,04 p.p.)
    * Saúde e cuidados pessoais: -0,04% (0,00 p.p.)
    * Despesas pessoais: 0,77% (0,08 p.p.)
    * Educação: 0,01% (0,00 p.p.)
    * Comunicação: -0,20% (-0,01 p.p.)

Hospedagem dispara em Belém com a COP30

No grupo despesas pessoais, o subitem hospedagem subiu 4,09%. A alta reflete o aumento de 178% em Belém, que recebeu em novembro a COP30, Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, elevando a demanda por acomodações.


Energia elétrica lidera pressão inflacionária no ano

A energia elétrica residencial subiu 1,27% em novembro, com impacto de 0,05 p.p. na inflação, devido a reajustes tarifários em concessionárias de Goiânia, Brasília, São Paulo e Porto Alegre.

A conta de luz é o item que mais influenciou a inflação em 2025:

    * Em 2025: +15,08%
    * Em 12 meses: +11,41%
    * Peso no IPCA em 12 meses: 0,46 p.p., de um total de 4,46%

Alimentos puxam alívio no índice

Entre os itens que mais contribuíram para conter a inflação no mês:

    * Tomate: -10,38%
    * Leite longa vida: -4,98%
    * Arroz: -2,86%
    * Café moído: -1,36%

Meta de inflação e expectativas do mercado

A meta de inflação do governo é 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual, podendo variar entre 1,5% e 4,5%.

Desde 2025, o critério de avaliação passou a considerar os 12 meses imediatamente anteriores — e não apenas o resultado fechado de dezembro. A meta é considerada descumprida se o índice ultrapassar o intervalo por seis meses consecutivos.

Segundo o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (8), o mercado estima inflação de 4,40% ao fim de 2025.

O gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, afirmou que, caso a inflação de dezembro fique em até 0,56%, o IPCA encerrará o ano dentro da meta. O dado será divulgado em 9 de janeiro.


Bandeiras tarifárias ajudam a reduzir pressão em dezembro

Após novembro ser marcado pela bandeira vermelha nível 1, dezembro opera sob bandeira amarela, reduzindo o custo adicional:

    * Bandeira amarela: R$ 1,885 por 100 kWh
    * Vermelha nível 1: R$ 4,46 por 100 kWh

Copom decide hoje a taxa Selic

Na noite desta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará a nova taxa Selic, hoje em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006.

O ciclo de alta iniciado em setembro do ano passado busca conter a escalada da inflação. Juros altos encarecem o crédito e reduzem consumo e investimentos, esfriando a economia e contribuindo para controlar preços.


Serviços e monitorados

    * Serviços: 0,60% em novembro — grupo mais sensível ao mercado e à Selic
    * Preços monitorados: 0,21% — inclui combustíveis e itens regulados

Como o IPCA é calculado

O índice mede o custo de vida de famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos (hoje em R$ 1.518). A pesquisa acompanha 377 subitens em:

    * 10 regiões metropolitanas
    * Brasília
    * Goiânia
    * Campo Grande
    * Rio Branco
    * São Luís
    * Aracaju
    * Belém (onde houve impacto da COP30)


Fonte: Agência Brasil

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