Rondônia, 13 de Setembro de 2026
Crise no mercado de leite: produção em alta, consumo fraco e importações pressionam preços no Brasil

Crise no mercado de leite: produção em alta, consumo fraco e importações pressionam preços no Brasil

Alta na entrada de produtos lácteos com a crescente importação de leite pressiona preços internos e expõe fragilidades da cadeia leiteira nacional

Porto Velho, RO - O setor leiteiro brasileiro atravessa um período de forte pressão sobre os preços pagos aos produtores. A combinação entre produção interna crescente, demanda enfraquecida e avanço das importações tem elevado a preocupação de pecuaristas e indústrias.

A análise é da Scot Consultoria, publicada na Carta Leite – Importação de leite cresce e acende alerta, que aponta um desequilíbrio claro entre oferta e consumo, intensificado por fatores internos e externos.

Oferta cresce mais que o consumo

Dados do IBGE mostram que a produção inspecionada aumentou 6,9% no primeiro semestre de 2025, enquanto a captação formal subiu 10,3% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior — números ainda parciais.

Esse avanço ocorre em um cenário de consumo interno estagnado, reflexo da perda de poder de compra das famílias.

Importações aceleram e amplificam a crise

Mesmo com a oferta doméstica em alta, o Brasil voltou a importar mais leite. Entre setembro e outubro, o volume importado de lácteos subiu 21,1% e 8%, respectivamente.

Argentina e Uruguai seguem como principais fornecedores. O leite em pó, responsável por 72,5% das importações, mantém papel determinante na formação dos preços internos.

Segundo dados da carta, as compras externas retornaram aos mesmos níveis do início de 2025.

Competitividade do leite importado

O leite em pó importado custou, em média, US$ 3,79/kg, enquanto o produto nacional no atacado era vendido a R$ 30,84/kg (cerca de US$ 5,74).
Ou seja, o produto estrangeiro chegou 29,6% mais barato.

A desvalorização do real amplia essa competitividade, facilitando a entrada de lácteos no país.

Perspectivas: tendência de queda das importações, mas cautela permanece

Apesar do aumento recente, o volume importado entre janeiro e outubro ficou 0,8% abaixo do registrado em 2024. No entanto, especialistas alertam que o cenário ainda é desafiador.

    * No mercado internacional, o Global Dairy Trade aponta queda futura nos preços devido à maior oferta mundial.
    * No Brasil, alguns fatores devem conter novas compras externas:
            * retomada das chuvas, melhorando pastagens;
            * aumento contínuo da produção nacional;
            * medidas estaduais que tornam a importação menos atrativa.


Setor em alerta

O avanço das importações, especialmente de leite em pó, acende um sinal de alerta para a cadeia leiteira. Com consumo fraco e oferta elevada, o produtor permanece vulnerável.

O comportamento dos preços nos próximos meses dependerá do equilíbrio entre produção, demanda e fluxo externo.

Fonte: CompreRural

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