Porto Velho, RO - A candidatura de Pedro Abib ao Governo de Rondônia tem intensificado a crise interna no MDB. Nos bastidores da legenda, pré-candidatos e dirigentes avaliam que o projeto enfrenta dificuldades para consolidar alianças, mobilizar a militância e estruturar uma campanha competitiva para as eleições de 2026.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o cenário tem provocado desânimo entre candidatos proporcionais e pode resultar em novas renúncias à disputa por vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Críticas à condução da pré-campanha
De acordo com relatos obtidos sob condição de anonimato, Pedro Abib estaria politicamente isolado, ainda sem a definição de um candidato a vice-governador e enfrentando dificuldades para ampliar o apoio dentro da própria legenda.
Um integrante do MDB fez duras críticas à condução da pré-campanha.
"Pedro Abib fará uma das campanhas mais frágeis da história recente do MDB numa disputa pelo Governo do Estado. Se perguntarem a ele quem são os candidatos a deputado estadual e deputado federal do partido, dificilmente conhecerá sequer uma parte deles. Falta traquejo político, habilidade, discurso e senso de realidade. Agiu de forma individual e acabou trocando os pés pelas mãos."
Segundo a mesma fonte, o projeto ainda não conseguiu construir uma base política consistente nem demonstrar capacidade de articulação em nível estadual.
Comparação com eleições anteriores
Outro dirigente da legenda comparou o atual momento ao desempenho do MDB nas eleições de 2018, quando o partido lançou a candidatura de Maurão de Carvalho ao governo estadual.
"Naquela eleição, Maurão de Carvalho contou com o apoio da militância, dos então senadores Valdir Raupp e Confúcio Moura, além de nominatas fortes para deputado estadual e deputado federal. Mesmo assim, o projeto encontrou dificuldades para crescer. Agora, a situação é ainda mais delicada."
Na avaliação desse dirigente, o contexto atual é mais desafiador em razão da menor capacidade de articulação política e da dificuldade para fortalecer a chapa majoritária.
Preocupação com recursos de campanha
Outro ponto que preocupa integrantes do MDB é a distribuição dos recursos do fundo eleitoral. Segundo relatos obtidos pela reportagem, campanhas consideradas pouco competitivas costumam receber menor prioridade, enquanto candidaturas ao Senado e às eleições proporcionais tendem a concentrar os investimentos.
Uma fonte da legenda afirmou que esse entendimento teria sido reforçado em conversas internas da direção nacional do partido.
"Quem quiser financiar seu sonho pessoal e disputar o governo, que financie com recursos próprios", teria afirmado o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, conforme relato reproduzido por integrantes da sigla.
Possíveis desistências
O clima de incerteza também tem repercutido entre os pré-candidatos proporcionais. De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, diversos postulantes à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados avaliam apresentar cartas de renúncia diante da percepção de perda de competitividade do partido no cenário estadual.
Até o momento, Pedro Abib não se manifestou publicamente sobre as críticas atribuídas a integrantes do MDB. O espaço permanece aberto para que o pré-candidato e a direção estadual da legenda apresentem sua versão dos fatos.