Rondônia, 31 de março de 2026
Irã e EUA trocam ataques após Trump recusar suposto acordo com Teerã

Irã e EUA trocam ataques após Trump recusar suposto acordo com Teerã

Presidente americano afirmou que fim da guerra está próximo, mas ainda não está satisfeito com as negociações

Navios de carga no Golfo, perto do Estreito de Ormuz • REUTERS

Porto Velho, RO - O Irã atacou uma base aérea americana no Kuwait durante a madrugada desta quinta-feira (28), segundo o CETCOM (Comando Central dos Estados Unidos).

A ofensiva aconteceu após os EUA terem realizado um ataque que Washington descreveu como uma operação de drones iraniana perto do Estreito de Ormuz e o presidente americano Donald Trump ter rejeitado um suposto acordo de compromisso com Teerã.

Os ataques, embora limitados, destacaram a fragilidade das negociações para transformar o tênue cessar-fogo, em vigor desde o início de abril, em um acordo para encerrar a guerra de três meses, que já matou milhares de pessoas, e reabrir a rota marítima vital para o mundo.

O Comando Central dos EUA afirmou que as forças americanas abateram cinco drones de ataque iranianos e atingiram uma estação de controle terrestre na cidade portuária de Bandar Abbas, que estava prestes a lançar um sexto drone.

As forças kuwaitianas interceptaram então um míssil balístico disparado em direção ao país, que abriga uma grande base americana.

"Essas ações foram calculadas, puramente defensivas e destinadas a manter o cessar-fogo", afirmou à agência de notícias Reuters um oficial americano, que pediu anonimato para falar abertamente sobre as operações militares.

A Guarda Revolucionária Islâmica disse ter atacado a base americana responsável por um ataque ocorrido no início da manhã perto do aeroporto de Bandar Abbas e que qualquer repetição levaria a uma "resposta mais decisiva", informou a agência de notícias Tasnim.

O Kuwait condenou o ataque e exigiu que o Irã interrompa imediatamente o que chamou de grave escalada.

A violência, o segundo caso desta semana, coincidiu com o feriado muçulmano de Eid al-Adha, celebrado em toda a região, onde vários países estão envolvidos no conflito desencadeado pelos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.

No Líbano, que o Irã afirma ser parte essencial de qualquer acordo geral para o fim das hostilidades, Israel disse ter começado a atacar a infraestrutura de militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, em Tiro, e realizado um ataque na capital, Beirute.

O Exército libanês afirmou que um ataque matou um de seus soldados, enquanto Israel, que deslocou centenas de milhares de pessoas com um avanço profundo no Líbano em busca do Hezbollah, disse que sirenes de alerta aéreo soaram em seu norte.

Os preços do petróleo se recuperaram, com os contratos futuros de petróleo bruto dos EUA subindo cerca de 3% após uma queda de 5% na quarta-feira (27), enquanto as ações caíram e o dólar subiu devido à diminuição da confiança dos investidores em um acordo de paz que muitos consideram fundamental para reduzir os riscos de inflação global.

Controle sobre o Estreito de Ormuz

Trump afirmou repetidamente que o fim da guerra está próximo, mas disse à imprensa em uma reunião de gabinete na quarta-feira (27) que ainda não estava satisfeito com as negociações e que os Estados Unidos não estavam discutindo o alívio das sanções, uma das exigências de Teerã.

Ele desconsiderou uma reportagem da TV estatal iraniana sobre um rascunho não oficial de um acordo para restaurar a navegação pelo Estreito de Ormuz aos níveis pré-guerra em um mês, com o Irã e o país do Golfo, Omã, gerenciando o tráfego conjuntamente.

O presidente americano também disse que nenhum país sozinho teria controle sobre a hidrovia e pareceu ameaçar Omã, com quem os EUA mantêm laços militares e econômicos de décadas.

"Ninguém vai controlar (o estreito)", disse Trump. "São águas internacionais, e Omã se comportará como qualquer outro país, ou teremos que explodi-los. Eles entendem isso, tudo ficará bem."

O Omã não se pronunciou sobre a ideia de controle conjunto do estreito com o Irã, com quem afirma ter discutido a liberdade de navegação.

Teerã expressou solidariedade ao Omã após o que chamou de "ameaças de autoridades americanas".

A Guarda Revolucionária do Irã reafirmou seu controle sobre o estreito, afirmando ter interceptado duas embarcações e permitido a passagem de 26 nas últimas 24 horas.

Antes da guerra, mais de cem navios passavam diariamente, em média.

O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou em uma carta ao Parlamento que o Irã saiu fortalecido da guerra e instou os legisladores a preservarem a unidade nacional, repararem os danos e enfrentarem as dificuldades, a inflação e a corrupção, segundo a mídia estatal.

Teerã insistia que os Estados Unidos liberassem fundos iranianos, afirmou o vice-secretário do Conselho de Segurança Nacional iraniano, Ali Bagheri Kani, segundo reportagem da agência Tasnim.

O Irã também busca o fim do bloqueio americano aos seus portos e o levantamento das sanções, que o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou na quarta-feira (27) ter estendido ao incluir a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, criada para gerenciar a passagem pelo estreito.

Embarcações estrangeiras transitavam livremente pela hidrovia antes da guerra, sob garantias legais internacionais.

A TV estatal iraniana afirmou que a minuta do acordo também previa a retirada das forças militares americanas das imediações, com discussões adicionais sobre a presença de tropas americanas na região.

A Casa Branca classificou a reportagem como uma "completa invenção". Teerã não se pronunciou.

Fontes iranianas afirmaram que a questão nuclear será discutida em novas negociações ao longo de 60 dias – algo que pode não ser aceitável para alguns dos apoiadores mais próximos de Trump, que desejam o desmantelamento do programa nuclear iraniano.

O Irã afirma que o programa tem fins exclusivamente pacíficos.

"A conclusão é que o Irã jamais terá uma arma nuclear", afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Fonte: CNN Brasil

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