Porto Velho, RO - A investigação sobre os estupros envolvendo estudantes do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, segue avançando e a Polícia Civil do Rio de Janeiro busca novas provas para esclarecer os crimes e ampliar a responsabilização dos envolvidos.
Segundo os investigadores, o foco agora é conseguir autorização judicial para acessar dados de celulares e computadores de um adolescente apontado como mentor das ações. Ele já foi denunciado à Justiça por dois crimes de estupro, mas responde em liberdade após a Justiça não autorizar sua internação nem a apreensão dos equipamentos eletrônicos.
De acordo com o delegado Ângelo Lages, responsável pelo caso, a análise dos dispositivos pode revelar detalhes fundamentais sobre a dinâmica dos crimes e possíveis novas vítimas.
“O adolescente era a mente por trás disso tudo. Ele tinha a confiança das vítimas, até por ter tido relacionamentos anteriores com elas, então a gente entende que a apreensão é necessária”, afirmou o delegado.
Suspeita de planejamento dos crimes
A polícia também avalia pedir a quebra de sigilo telefônico dos quatro réus envolvidos no estupro coletivo de uma jovem de 17 anos ocorrido em janeiro, no bairro de Copacabana.
Segundo as investigações, os crimes teriam sido previamente combinados entre os suspeitos.
Os investigadores acreditam que mensagens, fotos e vídeos armazenados nos celulares podem comprovar o planejamento dos ataques, além de esclarecer a participação de cada um.
Novas denúncias surgiram após repercussão
Depois que o caso veio à tona e imagens dos suspeitos passaram a circular, outras duas estudantes do Colégio Pedro II procuraram a polícia e relataram abusos semelhantes envolvendo integrantes do mesmo grupo.
Uma das vítimas afirmou que foi estuprada em 2023, quando tinha 14 anos, em um apartamento no bairro do Maracanã. Segundo o relato, o adolescente teria atraído a jovem ao local e, ao chegar, ela encontrou outros dois homens que cometeram a violência sexual e agressões físicas.
A vítima também afirmou que o ato foi gravado e que as imagens foram usadas posteriormente para chantagem.
Outra jovem relatou que também foi vítima de abuso e que toda a ação foi filmada.
Mesma dinâmica nos ataques
Para a polícia, os relatos indicam um padrão de atuação.
Segundo o delegado, o adolescente utilizava a relação de confiança com as vítimas para levá-las até determinados locais, onde outros integrantes do grupo participavam das agressões.
“Ela teve um relacionamento anterior com o adolescente que a atraiu até o apartamento e, chegando lá, havia mais dois homens que praticaram a violência sexual e agressões físicas”, explicou Lages.
Pressão dentro da escola
O grêmio estudantil do Colégio Pedro II publicou uma nota pedindo a expulsão dos alunos envolvidos, incluindo o adolescente investigado e Vitor Hugo Simonin.
Na manifestação divulgada nas redes sociais, os estudantes afirmaram que já existiriam relatos anteriores de assédio e abuso envolvendo os acusados, além de supostos vazamentos de vídeos íntimos de uma aluna.
A Polícia Civil também pretende acionar a instituição para verificar se havia denúncias anteriores ou investigações internas relacionadas aos estudantes.
Defesa nega acusações
A defesa de Vitor Hugo Simonin afirmou que o cliente nega participação no estupro coletivo. O advogado Ângelo Máximo chegou a sugerir a possibilidade de consentimento, apesar das lesões constatadas por exame pericial.
Alerta das autoridades
Ao comentar o caso, o delegado reforçou a importância do respeito ao consentimento nas relações.
“Os meninos, principalmente, precisam saber que não é não. A partir do momento que não houver mais consentimento, há um crime”, afirmou.
Nos casos em que a vítima é adolescente, a pena por estupro pode chegar a 20 anos de prisão.
📞 Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo telefone 180 ou em qualquer delegacia especializada.
Fonte: Carta Capital