"Foi sem dúvida o momento mais desesperador da minha vida", contou a mãe — Foto: Arquivo pessoal
Porto Velho, RO - Viviane Candido, de 42 anos, viveu uma situação incomum no nascimento da primeira filha, Ellie, hoje com 2 anos. Mãe também de Oliver, de 3 meses, a brasileira que mora em Queensland, na Austrália, contou que a experiência aconteceu quando ela tinha 39 anos, durante sua primeira gestação.
Logo no início da gravidez, Viviane foi diagnosticada com insuficiência placentária, condição em que a placenta não fornece oxigênio e nutrientes suficientes ao feto, podendo causar restrição de crescimento. Ao longo dos nove meses, ela realizou ultrassons semanais para acompanhar o desenvolvimento da bebê, que crescia lentamente.
Segundo a brasileira, os médicos australianos levantaram a possibilidade de que a criança pudesse ter uma ou mais síndromes e até mesmo que a gestação fosse incompatível com a vida. “Foram 9 meses de muita angústia e choro”, relembra.
Viviane decidiu compartilhar a experiência nas redes sociais após sentir que sua história poderia ajudar outras mulheres. Ela criou um perfil no Instagram, onde publicou o relato do parto. O vídeo viralizou e já ultrapassa 1,1 milhão de visualizações.
Ao completar 30 semanas, durante um exame de rotina, Viviane percebeu uma movimentação diferente na equipe médica. Após ser encaminhada a uma sala reservada, recebeu a notícia de que a filha havia parado de crescer e que precisaria permanecer internada para uma cesárea de emergência, antes que houvesse sofrimento fetal.
No dia seguinte, os médicos decidiram monitorar os batimentos cardíacos da bebê por mais uma semana, na tentativa de prolongar a gestação. A estratégia deu certo, e Ellie conseguiu permanecer no útero até as 37 semanas, já no início do nono mês.
Começamos a "procurar desesperadamente”
No dia da cesárea, o clima era de alegria. Após a incisão, Viviane conta que um dos médicos chegou a dizer que a cortina poderia ser abaixada para que a bebê fosse colocada imediatamente no peito da mãe. Segundos depois, no entanto, ele voltou atrás e pediu que a cortina fosse erguida novamente.
Sem ouvir o choro da filha e percebendo a comunicação em código entre os profissionais, ela e o marido começaram a orar. “Foi sem dúvida o momento mais desesperador da minha vida. Eu nem conseguia chorar, na minha cabeça eu só precisava clamar a Deus com toda minha força e minha fé”, afirma.
Após cerca de 30 minutos, o médico explicou o que havia ocorrido. “Quando abrimos sua barriga, não encontramos a bebê, então, começamos a procurar desesperadamente, pois obviamente alguma coisa estava diferente. Não tínhamos dúvidas de que ela existia, só precisávamos encontrá-la – e rápido”, relatou o profissional à mãe.
Ele explicou que o útero de Viviane havia mudado de formato durante a gestação, formando uma espécie de “cratera profunda” em um dos lados. Com apenas 1,790 kg, Ellie havia se acomodado completamente nesse espaço e, nesse intervalo, acabou aspirando líquido e precisou ser estabilizada.
O médico então perguntou ao pai se ele conversava com a filha durante a gestação. Diante da resposta positiva, o convidou a acompanhá-lo. “Quando um bebê precisa lutar assim pela vida, ao ouvir e fisicamente sentir o pai, pode ajudar muito. Você poderia me acompanhar? Vou te levar até ela. Coloque sua mão na bebê e comece a conversar exatamente como fazia na barriga”, disse o profissional ao pai.
Enquanto o marido estava com a filha, Viviane acompanhava tudo por uma tela instalada na sala cirúrgica. “Você consegue, minha filha. Respira, por favor. Não me deixe, fica comigo. Nós te amamos mais que tudo nessa vida”, repetia. Minutos depois, a bebê chorou. “Todos na sala começaram a comemorar, eu caí no choro e só conseguia agradecer a Deus.” Ao todo, foram 45 minutos até que Ellie fosse levada aos braços da mãe.
Dias na UTI neonatal
Após o nascimento, Ellie foi encaminhada à UTI neonatal, onde permaneceu por 11 dias. Viviane recebeu alta dois dias depois, mas optou por não deixar o hospital. “Permitiram que eu ficasse com ela, mas deixaram claro que ali só haviam recursos para a bebê, que poderiam colocar uma poltrona para eu dormir e nada mais – mas eu ficaria até se precisasse dormir em pé.”
Os cuidados eram voltados principalmente ao ganho de peso e à estabilização da respiração e da saturação. A recém-nascida teve episódios em que parava de respirar por alguns segundos. “Minha alma saía do corpo todas as vezes”, conta.
Hoje, segundo a mãe, a saúde de Ellie é considerada perfeita, sem sequelas. Testes realizados ainda na UTI descartaram qualquer síndrome. “Ela é um milagre! A saúde dela é perfeita. Neurologicamente também, ela é superdesenvolvida e muito inteligente.”
Depois do vídeo viralizar, a mãe explicou que começou o Instagram do zero, pois acreditava que, aos poucos, começaria a aparecer mulheres se identificando. "Jamais imaginei que teria um alcance desse tamanho e com essa velocidade. Eu estou bastante impressionada e muito grata por poder compartilhar minha história e encorajar tantas mulheres! O propósito está sendo cumprido e isso só fortalece a minha fé!”, afirma.
Confira abaixo o post de Viviane:
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