Porto Velho, RO - A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro prendeu, na noite desta terça-feira, o ator José Dumont, de 75 anos, no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro. A ação cumpre mandado de prisão após condenação definitiva por estupro de vulnerável. Ele foi conduzido à DC-Polinter.
Segundo as investigações, o caso teve início em 2022, quando o ator teria levado um menino de 11 anos ao interior de seu apartamento, no Flamengo. A criança seria filho de uma ambulante que trabalhava nas proximidades do prédio. Moradores denunciaram que o menor já teria ido outras vezes ao local.
As apurações indicaram que o ator teria se aproveitado do prestígio profissional para se aproximar da vítima, oferecendo ajuda financeira e presentes. Imagens de câmeras de segurança teriam registrado beijos e carícias íntimas, o que deu início ao inquérito policial.
Na ocasião, a mãe do menor afirmou que só tomou conhecimento do caso após relatos de vizinhos. O primeiro pedido de prisão não foi concedido, mas a Justiça autorizou busca e apreensão no imóvel. Durante a diligência, foram encontrados mais de 240 arquivos entre fotos e vídeos de pornografia infantil, além de comprovante de depósito bancário no valor de R$ 1 mil em nome da vítima. A defesa da família sustenta que outras crianças podem ter sido vítimas.
Pena
A condenação por estupro de vulnerável resultou em pena de nove anos e quatro meses de reclusão, com trânsito em julgado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Após as formalidades legais, o ator será encaminhado ao sistema prisional, onde ficará à disposição da Justiça.
Em processo anterior, ele também foi condenado por armazenar material pornográfico infantojuvenil. A sentença foi proferida pela 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente do TJ-Rio. Como tinha mais de 70 anos, a pena foi atenuada para um ano de reclusão em regime aberto.
Trajetória artística
Natural da Paraíba, José Dumont iniciou a carreira artística nos anos 1970. O reconhecimento nacional veio com o filme O Homem que Virou Suco, dirigido por João Batista de Andrade, papel que lhe rendeu prêmios de melhor ator nos festivais de Gramado e de Brasília.
Ao longo da carreira, venceu quatro vezes o Candango de melhor ator no Festival de Brasília, com atuações em produções como A Hora da Estrela, Kenoma, O Último Raio de Sol e O Homem que Virou Suco. Participou de cerca de 50 produções entre longas e curtas-metragens, incluindo títulos como Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, Morte e Vida Severina e Curral (2021).
Na televisão, integrou o elenco de produções de grande audiência, como Pantanal (1990), em que interpretou Gil Marruá, além de A História de Ana Raio e Zé Trovão, Lampião e Maria Bonita e América.
O caso segue sob acompanhamento das autoridades judiciais.
Fonte: O Globo