TSE abre audiências públicas sobre regras das Eleições de 2026 após receber 1.423 sugestões

TSE abre audiências públicas sobre regras das Eleições de 2026 após receber 1.423 sugestões

Audiências nestas terça e quarta-feiras vão avaliar as propostas

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Porto Velho, RO - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou, nesta terça-feira (3), uma série de audiências públicas para discutir as regras que vão reger as Eleições de 2026. O debate ocorre após a Corte receber 1.423 propostas de alteração às resoluções eleitorais deste ano.

Em janeiro, o TSE publicou 12 minutas de resolução e abriu consulta pública, encerrada em 30 de janeiro. Parte das contribuições foi selecionada para apresentação oral nas audiências dos dias 3 e 4 de fevereiro, transmitidas ao vivo pelo canal do TSE no YouTube.

A consulta à sociedade civil é obrigatória a cada ciclo eleitoral, conforme prevê a Lei das Eleições, que estabelece o prazo final de 5 de março para que o plenário do TSE aprove todas as normas que valerão para o pleito.

Engajamento e ética no processo eleitoral

Na abertura dos trabalhos, o vice-presidente do TSE e relator das resoluções, ministro Nunes Marques, destacou o volume de contribuições.

“Esse expressivo número evidencia o interesse, o engajamento e a relevância do debate em torno das normas eleitorais”, afirmou.

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reforçou a necessidade de rigor ético no período eleitoral e alertou que a desconfiança nas instituições gera instabilidade social e insegurança jurídica.

Na noite anterior, ao abrir o ano judiciário do TSE, Cármen Lúcia já havia proposto regras para disciplinar a atuação de magistrados durante o período eleitoral.

Principais propostas de mudança para 2026

Ao divulgar as minutas, o próprio relator Nunes Marques sugeriu alterações em temas como:

    * calendário eleitoral;
    * manifestações na pré-campanha;
    * pesquisas eleitorais;
    * critérios de distribuição de recursos partidários;
    * responsabilidade das plataformas digitais sobre conteúdos eleitorais.



Redes sociais e desinformação

Uma das mudanças mais relevantes envolve o aumento da responsabilidade das plataformas digitais. O ministro propôs que empresas como Meta, X e TikTok possam ser obrigadas a remover conteúdos que ataquem o processo eleitoral mesmo sem ordem judicial prévia.

Nas eleições municipais de 2024, as plataformas só podiam ser responsabilizadas se descumprissem decisão judicial. A nova proposta endurece esse entendimento.

Regras sobre inteligência artificial mantidas

Nunes Marques não alterou as normas já aprovadas em 2024 sobre o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, incluindo a proibição de deep fake — conteúdos manipulados que criam, substituem ou alteram imagem ou voz de pessoas reais ou fictícias.

Novas exceções para a pré-campanha

O relator também sugeriu flexibilizações, como:

    * permitir lives em perfis de pré-candidatos, desde que não haja pedido de votos ou menção explícita à candidatura;
    * autorizar críticas à administração pública, inclusive com impulsionamento, desde que sem conotação eleitoral;
    * liberar manifestações espontâneas em ambientes universitários, escolares, comunitários ou de movimentos sociais, desde que o evento não seja financiado por pré-candidatos, partidos ou federações.


Financiamento de campanha

Outra mudança proposta permite que partidos alterem critérios de distribuição de recursos eleitorais até 30 de agosto, desde que a decisão seja justificada e aprovada pela maioria do diretório nacional da legenda.


Próximos passos

Após as audiências públicas, as sugestões serão analisadas pelo relator e pelo plenário do TSE. A versão final das resoluções eleitorais deve ser aprovada até 5 de março de 2026.

Fonte: Agência Brasil

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem