TCE-RO mantém licitação de Jaru em andamento, mas abre investigação sobre edital de obras de R$ 3,3 milhões

TCE-RO mantém licitação de Jaru em andamento, mas abre investigação sobre edital de obras de R$ 3,3 milhões

Tribunal converte procedimento preliminar em Representação para fiscalização mais rigorosa, mas nega pedido de suspensão imediata do certame por entender que ainda não há risco comprovado ao interesse público.

Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) decidiu aprofundar a fiscalização sobre a Concorrência Eletrônica nº 026/2025, lançada pela Prefeitura Municipal de Jaru, que prevê a contratação de empresa para obras de pavimentação asfáltica e implantação de iluminação pública, com valor estimado em R$ 3,36 milhões.

A decisão é monocrática e foi proferida pelo conselheiro José Euler Potyguara Pereira de Mello, no âmbito do Processo nº 00303/26, publicado no Diário Oficial do TCE-RO em 9 de fevereiro de 2026.


O que o Tribunal decidiu

De forma objetiva, o TCE-RO tomou duas decisões centrais:

    * ✅ Determinou que o Procedimento Apuratório Preliminar (PAP) seja convertido em Representação, abrindo caminho para uma ação de controle mais aprofundada;

    * ❌ Negou o pedido de tutela de urgência, mantendo a licitação em andamento neste momento.

Em outras palavras: o certame não foi suspenso, mas passará por fiscalização detalhada.


Por que o TCE-RO decidiu investigar

Inicialmente, a área técnica do Tribunal havia sugerido o arquivamento do caso, com base na chamada Matriz GUT (instrumento que mede gravidade, urgência e tendência do risco).

No entanto, o relator revisou essa pontuação, destacando três pontos-chave:

    * 💰 Alto valor envolvido (mais de R$ 3 milhões);

    * 🏗️ Impacto social relevante, já que se trata de obras urbanas essenciais;

    * ⚠️ Risco de consolidação de eventuais irregularidades, caso não haja acompanhamento imediato.

Com a reavaliação, a pontuação da Matriz GUT saltou para 48 pontos, ultrapassando o mínimo exigido e justificando a abertura de ação de controle pelo TCE-RO.


Por que a licitação não foi suspensa

Apesar das suspeitas levantadas pela empresa Compacta Engenharia, que questionou exigências técnicas do edital, o Tribunal entendeu que não estão presentes os requisitos para uma medida liminar.

Pesaram na decisão:

    * A participação de seis empresas na disputa;

    * A existência de lances abaixo do orçamento estimado, indicando concorrência;

O fato de que as discussões envolvem análise técnica complexa, incompatível com decisão rápida e provisória.

Segundo o relator, não ficou demonstrado, neste momento inicial, risco imediato ao interesse público que justificasse a suspensão do certame.


O que acontece agora

Com a conversão do PAP em Representação:

    * 📂 O processo seguirá sem sigilo;

    * 🔎 A Secretaria-Geral de Controle Externo fará a instrução completa;

    * 🧾 Poderão ser solicitados documentos, justificativas técnicas e esclarecimentos da Prefeitura;

    * ⚖️ O mérito das supostas irregularidades ainda será julgado.

Importante destacar: a negativa da tutela não valida automaticamente o edital. O próprio Tribunal deixou claro que a decisão é provisória e pode ser revista após a análise técnica aprofundada.


Resumo para o cidadão

    * A licitação continua, mas está sob fiscalização rigorosa;

    * O TCE-RO entendeu que o caso merece investigação, devido ao valor e ao impacto das obras;

Qualquer irregularidade só será confirmada ou afastada após a instrução completa do processo.

No ritmo tradicional do controle externo, o Tribunal preferiu examinar com lupa antes de intervir com martelo — cautela hoje para evitar prejuízo amanhã.

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