Prefeitura de Porto Velho discute rescisão amigável com consórcio responsável pela coleta de lixo

Prefeitura de Porto Velho discute rescisão amigável com consórcio responsável pela coleta de lixo

Reunião virtual expôs divergências sobre qualidade do serviço e condições para eventual encerramento do contrato

Porto Velho, RO - A Prefeitura de Porto Velho realizou, no dia 27 de janeiro de 2026, uma reunião virtual para discutir a possibilidade de rescisão amigável do contrato de coleta de resíduos sólidos urbanos (RSU) com o Consórcio ECOPVH, formado pelas empresas Suma Brasil e EcoFort. O encontro ocorreu às 14h41 e foi motivado por falhas apontadas pela administração municipal na execução do serviço.

A reunião foi conduzida por Sérgio Paraguassú, secretário municipal de Governo em exercício, e contou com a participação de representantes das duas empresas, gestores operacionais e do coordenador do grupo de transição da coleta.

Logo no início, foi informado que a reunião seria gravada. A Prefeitura apresentou relatórios técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra) indicando elevado número de reclamações nos meses de novembro e dezembro de 2025 e janeiro de 2026, sugerindo que os problemas seriam recorrentes.

Posições das empresas

Representando a Suma Brasil, Rodrigo Fortes afirmou que a empresa é favorável à discussão da rescisão consensual, mas condicionou a medida à definição de critérios claros, especialmente sobre anistia de multas e prazo de desmobilização, sugerindo um período mínimo de 30 dias.

Já a EcoFort inicialmente se opôs à rescisão. A advogada Vanessa Esber contestou os dados da Prefeitura, alegando que registros internos e informações oficiais mostrariam redução das ocorrências e estabilização do serviço em janeiro de 2026. O gestor operacional Felipe Ferraz reforçou essa posição, citando baixo número de reclamações nos canais formais.

A empresa também demonstrou preocupação com a continuidade do serviço essencial, questionando quem assumiria a coleta em caso de rescisão, além de apontar que pagamentos ainda estariam pendentes. A Prefeitura respondeu que os repasses seguem trâmites legais e dependem da análise das medições pela fiscalização.

Divergências e encaminhamentos jurídicos

Sérgio Paraguassú reconheceu que os dados poderiam ser revisados, mas manteve a avaliação de que ainda há falhas graves no contrato. Ele informou que o caso já foi encaminhado à Procuradoria-Geral do Município (PGM) para análise de cenários que garantam a continuidade do serviço caso ocorra a rescisão.

Mudança de posição e condições da EcoFort

Ao final do debate, o diretor da EcoFort, Iuri Faria, reconsiderou a posição inicial e declarou interesse na rescisão amigável, desde que atendidas algumas condições, entre elas:

    * Extinção de multas e penalidades;
    * Prazo mínimo de 30 dias para transição, com possibilidade de prorrogação por mais 30;
    * Emissão de atestado de capacidade técnica;
    * Garantia de continuidade do serviço até entrada de nova empresa;
    * Eventual indenização caso não haja substituição imediata, para preservar equilíbrio econômico-financeiro e obrigações trabalhistas.


A proposta foi aceita pela Suma Brasil.

Próximos passos

Ficou definido que a Seinfra enviará ao Consórcio ECOPVH todos os dados sobre irregularidades apontadas. A ata da reunião será lavrada e encaminhada à PGM, que analisará a legalidade das propostas e poderá elaborar uma minuta de termo de rescisão amigável.

O caso representa um momento decisivo na gestão da coleta de lixo em Porto Velho — um serviço essencial que impacta diretamente a população e continuará sob acompanhamento dos órgãos de controle.



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