Porto Velho, RO - O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou nesta quarta-feira (4) que o fim do Tratado Novo START marca um momento grave para a paz e a segurança internacionais e fez um apelo direto para que Rússia e Estados Unidos voltem imediatamente à mesa de negociações sobre controle de armas nucleares.
O Novo START expirou à meia-noite de quarta-feira. O acordo era o último instrumento bilateral vigente entre Washington e Moscou que impunha limites verificáveis ao número de ogivas nucleares estratégicas implantadas, bem como aos mísseis e bombardeiros terrestres e submarinos capazes de lançá-las.
Em comunicado oficial, Guterres afirmou que o cenário atual é sem precedentes:
“Pela primeira vez em mais de meio século, enfrentamos um mundo sem quaisquer limites vinculativos para os arsenais nucleares estratégicos da Federação Russa e dos Estados Unidos — os dois Estados que detêm a esmagadora maioria do estoque global de armas nucleares.”
Segundo ele, a dissolução de décadas de avanços no controle de armas ocorre “no pior momento possível”, quando o risco de uso de uma arma nuclear está no nível mais alto em décadas.
Janela de oportunidade
Apesar do tom alarmista, Guterres afirmou que o fim do tratado também abre uma oportunidade para reconstruir um regime moderno de controle de armas, adaptado ao atual contexto geopolítico e tecnológico.
Ele destacou que tanto líderes russos quanto norte-americanos já reconheceram publicamente a necessidade de evitar um retorno a um cenário de proliferação nuclear sem limites — o que, segundo ele, precisa agora se traduzir em ações concretas.
“O mundo agora espera que a Federação Russa e os Estados Unidos transformem palavras em ações.”
Apelo final
Guterres encerrou com um chamado direto às duas potências nucleares:
“Exorto ambos os Estados a retornarem à mesa de negociações sem demora e a concordarem com uma estrutura sucessora que restabeleça limites verificáveis, reduza os riscos e fortaleça nossa segurança comum.”
O encerramento do Novo START deixa o sistema internacional sem qualquer tratado ativo que limite arsenais nucleares estratégicos entre as duas maiores potências militares do mundo — situação que aumenta incertezas e tensões globais.