Porto Velho, RO - A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, dissolveu nesta sexta-feira (23) a Câmara dos Representantes do Parlamento japonês (Câmara Baixa), abrindo caminho para eleições legislativas antecipadas em 8 de fevereiro. A decisão ocorre apenas três meses após a líder assumir o cargo e tem como objetivo capitalizar seu atual índice de popularidade nas urnas.
“De acordo com o artigo 7º da Constituição, a Câmara está dissolvida”, declarou o presidente da Câmara, Fukushiro Nukaga, logo após o início da sessão parlamentar. Minutos depois do anúncio, o plenário foi esvaziado.
A convocação das eleições antecipadas havia sido anunciada por Takaichi na última segunda-feira (19), decisão que a própria primeira-ministra classificou como “muito difícil”.
Cenário político e estratégia
Apesar de manter alto índice de aprovação popular, Takaichi governa com maioria estreita na Câmara Baixa — a mais poderosa das duas casas do Parlamento — e enfrenta minoria na Câmara Alta, o que limita a governabilidade.
Com a dissolução, inicia-se uma campanha eleitoral extremamente curta, de apenas 16 dias, até a votação marcada para 8 de fevereiro.
O objetivo da primeira-ministra é garantir maioria parlamentar para a coligação formada pelo Partido Liberal Democrático (PLD), que ela lidera, e o Partido da Inovação do Japão (Ishin), novo aliado político.
Dos 465 assentos em disputa, a coligação precisará conquistar ao menos 233 cadeiras para assegurar maioria simples.
“Vamos nos esforçar para obter a maioria da coligação e, além disso, alcançar estabilidade política”, afirmou o secretário-geral do PLD, Shunichi Suzuki, em entrevista à televisão japonesa após a dissolução.
Economia no centro da campanha
Suzuki reforçou que as eleições funcionam como um referendo à liderança de Takaichi e são fundamentais para consolidar o plano do governo de ampliação da despesa pública, parte de uma estratégia mais ampla para estimular a economia japonesa, que enfrenta décadas de estagnação.
Ascensão e desafios
Sanae Takaichi chegou ao cargo em outubro do ano passado, após vencer as primárias do PLD, convocadas depois da renúncia do então primeiro-ministro Shigeru Ishiba, que deixou o posto após sucessivas derrotas eleitorais do partido.
Conhecida por seu perfil ultraconservador, Takaichi terá pela frente uma disputa complexa contra a Aliança Reformista Centrista, nova força política formada pela união do Partido Democrático Constitucional (PDC) — principal legenda de oposição — com o Komeito, partido de inspiração budista que foi aliado do PLD por mais de 20 anos.
O Komeito rompeu com o partido governista após a eleição de Takaichi como líder, alterando significativamente o equilíbrio político no país.
Fonte: Agência Brasil