Luiz Cláudio assume Emater sob críticas de sucateamento e admite limites para mudanças em ano eleitoral

Luiz Cláudio assume Emater sob críticas de sucateamento e admite limites para mudanças em ano eleitoral

Em entrevista ao podcast Resenha Política, Luiz Cláudio relata diagnóstico de quadro invertido na autarquia, confirma queda da produção leiteira e anuncia pacote de projetos, parcerias e captação de recursos; Robson Oliveira pressiona sobre abandono, custo do leite e possível saída até março

Porto Velho, RO - A posse de Luiz Cláudio na presidência da Emater Rondônia foi apresentada no podcast Resenha Política, comandado pelo jornalista Robson Oliveira em parceria com o Rondônia Dinâmica, como o retorno de um nome conhecido da política rondoniense ao centro do debate público — e, ao mesmo tempo, como um teste de fogo diante de uma instituição descrita pelo próprio entrevistador como “meio sucateada” e “meio abandonada” nos últimos anos.

Convidado pelo governador Coronel Marcos Rocha, Luiz Cláudio afirmou ter aceitado o cargo como um “desafio”, destacando o papel estratégico da assistência técnica e extensão rural para a agricultura familiar no estado. “Eu reconheço o trabalho da Extensão Rural como um grande braço da agricultura familiar do nosso Estado”, declarou.

Cobrança inicial e diagnóstico interno

Logo na abertura, Robson Oliveira fez uma cobrança direta ao questionar se a Emater teria perdido força e presença no campo. Luiz Cláudio respondeu reconhecendo um desequilíbrio estrutural na instituição. Segundo ele, atualmente 60% do quadro está concentrado na área administrativa e apenas 40% na área finalística, quando o ideal seria o inverso.

O presidente admitiu que não haverá tempo hábil para uma reformulação profunda no curto prazo, citando o calendário eleitoral como impeditivo para concursos públicos. “Isso vai ser corrigido, eu creio, no próximo governo”, afirmou, assumindo o compromisso de ampliar o atendimento “com o mesmo pessoal”.

Metas ampliadas e planejamento

Como primeira medida, Luiz Cláudio relatou a realização de uma reunião com 74 gerentes locais, sete regionais e a diretoria da Emater, em Ouro Preto do Oeste, para revisar o PROATER 2026. Segundo ele, a meta é ampliar o atendimento de 9 mil para 21 mil propriedades, sem aumento imediato do quadro de servidores.

Crise do leite domina o debate

Um dos momentos mais sensíveis da entrevista foi a discussão sobre a queda da produção leiteira em Rondônia. Robson Oliveira citou dados indicando redução de cerca de 3 milhões para 1 milhão de litros por dia, informação confirmada por Luiz Cláudio.

“O produtor hoje está vendendo nada”, afirmou o presidente da Emater, ao explicar que o custo médio de produção gira em torno de R$ 1,85 a R$ 1,90 por litro, valor equivalente ao preço de venda. Ele atribuiu a crise a fatores como importação de leite em pó, custos elevados e falta de manejo adequado.

Luiz Cláudio defendeu que a redução de custos é possível com manejo de pastagem rotacionado, irrigação e adubação, citando propriedades que teriam alcançado custo de R$ 1,30 por litro.

Assistência técnica, crédito e endividamento

Ao ser provocado sobre a possível perda de protagonismo da Emater na assistência técnica, Luiz Cláudio reconheceu que a instituição “se afastou um pouco” da elaboração de projetos de crédito rural, abrindo espaço para a iniciativa privada — o que classificou como erro.

Ele alertou para casos de produtores endividados por financiamentos feitos sem avaliação técnica adequada. “O banco não perdoa”, disse, defendendo a retomada do papel da Emater como filtro de viabilidade econômica para pequenos agricultores.

Projetos, anúncios e promessas

O presidente afirmou ter criado 18 novos projetos em menos de um mês, incluindo ações voltadas ao leite, genética animal e apoio logístico. Citou a existência de duas usinas de nitrogênio para inseminação artificial e prometeu doação de sêmen sexado a produtores.

Também mencionou negociações com um fundo dos Emirados Árabes, que teria interesse em financiar a produção agrícola com garantia no produto, e não na terra, com juros de 6% ao ano. Durante a entrevista, Robson Oliveira ponderou que parte dessas iniciativas ainda se encontra no campo das promessas.

Parcerias e inovação

Luiz Cláudio destacou parcerias com o Idaron, especialmente no combate à brucelose, e com a Secretaria de Educação, para ampliar a compra de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar.

Outro anúncio foi a criação de um sistema de assistência técnica virtual, com atendimento remoto, inclusive fora do horário comercial, como forma de reduzir custos operacionais e ampliar o alcance da Emater.

Calendário político e futuro

No encerramento, Robson Oliveira questionou se Luiz Cláudio permanecerá no cargo até março, prazo limite para desincompatibilização em caso de candidatura. O presidente reconheceu o prazo, mas evitou cravar uma decisão.

“Agora é a hora de arregaçar a manga e fazer alguma coisa pela agricultura”, afirmou, deixando em aberto uma eventual participação no processo eleitoral.

Exibido em múltiplas plataformas digitais e com conexões com a TV Rema e Jovem Pan, o episódio do Resenha Política expôs, ao longo de quase 40 minutos, as fragilidades estruturais da Emater, a crise do leite, o endividamento rural e os limites impostos pelo ano eleitoral à capacidade de reorganização da assistência técnica em Rondônia.

Fonte: Rondônia Dinâmica

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