2026 se antecipa em Rondônia e Marcos Rogério encara a maior encruzilhada da carreira

2026 se antecipa em Rondônia e Marcos Rogério encara a maior encruzilhada da carreira

Senador Marcos Rogério faz parte da ala radical da direita em nível de Brasil, em Rondônia é refém

Porto Velho, RO - O tabuleiro político de Rondônia começou a se mover antes do previsto — e alguns nomes já sentem o vento frio da incerteza. Entre eles, Marcos Rogério (PL), que atravessa talvez o momento mais delicado de toda a sua trajetória política.

Nos bastidores, a leitura é direta e sem rodeios: um erro de cálculo em 2026 pode deixá-lo sem mandato em 2027.

Hoje, o único porto relativamente seguro para Marcos Rogério seria disputar uma vaga de deputado federal ou estadual. Fora disso, o risco cresce exponencialmente.

Radicalismo isola e fecha portas

Alinhado à ala mais radical da extrema direita do PL, Marcos Rogério enfrenta dificuldades crônicas para construir pontes fora do seu próprio campo ideológico. Caso decida disputar o Governo de Rondônia, o cenário é ingrato desde a largada: faltariam alianças sólidas e, sobretudo, apoio em um eventual segundo turno — seja com setores moderados, seja com a esquerda.

Política não se ganha apenas com discurso. Ganha-se com alianças. E é justamente aí que mora o principal problema.

Se optar pela reeleição ao Senado, o caminho também é estreito. O eleitorado moderado e de esquerda já tem referência clara: Confúcio Moura (MDB). Esse campo dificilmente migraria para Marcos Rogério.

Do lado da direita, o cenário não é de unidade, mas de fragmentação. Disputam o mesmo eleitorado nomes como Silvia Cristina (PP), Fernando Máximo (UB) e Marcos Rocha (UB). Muitos caciques, poucos votos concentrados.

Marcos Rogério está, portanto, numa encruzilhada política. Existem apenas dois caminhos — e ambos são arriscados.

Marcos Rocha repensa o Senado

Enquanto isso, o governador Marcos Rocha (União Brasil) também reposiciona suas peças. Após sete anos de gestão marcados por problemas simbólicos não resolvidos — como o telhado do Pronto-Socorro João Paulo II —, Rocha, segundo fontes, passou a reconsiderar seriamente uma candidatura ao Senado Federal.

A motivação seria uma pesquisa interna (ou de consumo) que indicaria bom desempenho eleitoral. No entanto, o cenário não é livre de obstáculos. Rocha ainda precisa recompor a relação com o vice-governador Sérgio Gonçalves (UB), após um desgaste público intenso nos últimos meses — um verdadeiro linchamento político que deixou cicatrizes visíveis.

Nos próximos quatro meses, ficará claro se essa articulação tem base sólida ou se não passa de fumaça de bastidor.

Se Rocha entrar no jogo, a disputa esquenta

Caso Marcos Rocha confirme candidatura ao Senado, o efeito dominó será imediato. O PSD desponta com um elenco robusto:

    * Jaqueline Cassol
    * Luiz Cláudio da Agricultura
    * Coronel Vital
    * Elias Rezende
    * Luana Rocha
    * Thiago Flores
    * Expedito Júnior


No PL, a lista também é extensa:

    * Coronel Crisóstomo
    * Lúcio Mosquini
    * Sandra Bagatolli (inelegível)
    * Pastor Val
    * Sofia Andrade
    * Hildon Chaves


O Podemos articula:

    * Pastor Valadares
    * Jaiminho Gazola
    * Euma Tourinho
    * Delegado Camargo
    * Rafael “O Fera”
    * Delegado Flori


Já a Federação União Brasil–PP trabalha com:

    * Maurício Carvalho
    * Hildon Chaves
    * Cristiane Lopes
    * Sérgio Gonçalves


Conclusão: o tempo cobra decisões

A política não perdoa hesitação. Marcos Rogério sabe disso. O relógio corre, os adversários se multiplicam e o humor do eleitor muda com a mesma rapidez do clima amazônico.

Ou escolhe o caminho menos arriscado — ainda que menos ambicioso —, ou pode acabar assistindo a 2027 da arquibancada.

Na política, como na vida, a lição é antiga: quem não constrói pontes acaba ilhado. E ilhas, por mais barulhentas que sejam, não vencem eleições.

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