Porto Velho, RO - A dinâmica dessa rota está detalhada no estudo “Mercúrio na Amazônia: redes criminosas transnacionais, vulnerabilidade socioambiental e desafios para a governança”, elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Veja o vídeo abaixo:
https://g1.globo.com/ro/rondonia/video/como-rondonia-se-tornou-uma-das-principais-rotas-de-entrada-do-mercurio-ilegal-na-amazonia-14096205.ghtml
Como Rondônia se tornou uma das principais rotas de entrada do mercúrio ilegal na Amazônia
O mercúrio é usado no processo de amalgamação, técnica que separa o ouro de sedimentos como areia e pedras. Pela facilidade de transporte e pela disponibilidade no mercado clandestino, ele segue sem substitutos viáveis para operações ilegais.
Segundo o levantamento, fatores políticos, econômicos e geográficos transformaram Rondônia em um corredor estratégico para o comércio ilícito. Até 2015, o Peru era o principal polo de importação de mercúrio na América do Sul e centro do contrabando para garimpos. A situação mudou quando o país aderiu à Convenção de Minamata, que impôs regras rígidas para reduzir e, eventualmente, eliminar o uso da substância na mineração.
Com o aumento das fiscalizações no território peruano, organizações criminosas migraram a rota para a Bolívia. Entre 2015 e 2021, o país tornou-se o segundo maior importador de mercúrio do mundo, atrás apenas da Índia. O volume adquirido, porém, excedia amplamente a necessidade interna. Em 2016, por exemplo, a Bolívia importou 238 toneladas, apesar de demandar apenas 34 — um indício de que o país passou a operar como entreposto regional para abastecer garimpos ilegais, papel antes desempenhado pelo Peru.
Em nota conjunta enviada ao g1, MMA e Abin afirmam que essa “rápida realocação e manutenção do fluxo demonstram a elevada capacidade de adaptação e articulação regional das estruturas criminosas envolvidas na cadeia do mercúrio”.
A ausência de legislação restritiva e a posição geográfica estratégica reforçam a vulnerabilidade boliviana. O país faz fronteira com quatro estados brasileiros — Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — três deles inseridos na Amazônia Legal.
No Brasil, a comercialização de mercúrio é permitida apenas para empresas autorizadas, com uso específico na indústria de cloro e soda. Qualquer utilização fora dos parâmetros legais é enquadrada pela Lei de Crimes Ambientais, que proíbe o emprego de substâncias tóxicas sem controle técnico.
Fonte: G1-RO