Rondônia, 13 de Setembro de 2026
STF analisa se Alexandre de Moraes pode ser investigado no caso Master

STF analisa se Alexandre de Moraes pode ser investigado no caso Master

Plenário do Supremo Tribunal Federal começa nesta terça-feira (15) a discutir investigação envolvendo conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Porto Velho, RO - O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar nesta terça-feira (15), a partir das 10h, se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por uma suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A sessão será realizada no plenário do STF e terá transmissão pela TV Justiça e pela internet. O caso foi levado ao plenário pelo ministro André Mendonça, antigo relator do processo relacionado ao caso Master, após a Polícia Federal identificar mensagens entre Vorcaro e um número de celular atribuído a Moraes.

As conversas foram encontradas durante a quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro. Segundo a apuração, Vorcaro teria trocado cerca de 50 mensagens com o número antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025.

Como será o julgamento

O novo relator do caso, ministro Edson Fachin, abrirá a sessão às 10h. Após os procedimentos iniciais, Fachin fará a leitura do relatório e, em seguida, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá espaço para se manifestar.

Depois da manifestação da PGR, os ministros deverão iniciar a votação.

O STF ainda não confirmou se Alexandre de Moraes poderá participar do julgamento. A participação do ministro Dias Toffoli também não está confirmada. Toffoli havia declarado impedimento em julgamentos relacionados ao caso Master após informações de que possui um resort adquirido por um fundo de investimentos ligado ao banco.

O julgamento também poderá ser interrompido caso algum ministro apresente uma questão de ordem. Outra possibilidade é um pedido de vista, que suspenderia a análise do processo.

Mensagens entre Vorcaro e número atribuído a Moraes

O caso ganhou repercussão depois que André Mendonça retirou o sigilo do processo, em 1º de setembro, e encaminhou as conversas para o ministro Edson Fachin.

De acordo com as informações apresentadas no processo, as mensagens mostram que Vorcaro demonstrava preocupação com o avanço das investigações da Polícia Federal.

Em uma conversa de 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua prisão, o ex-banqueiro citou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao questionar sobre o andamento das investigações.

Não há, contudo, indícios apresentados no caso de que Gonet ou Andrei Rodrigues tenham interferido nas investigações.

No dia seguinte, Vorcaro também mencionou o juiz Ricardo Leite, que era responsável pelas investigações na primeira instância da Justiça Federal em Brasília, e perguntou sobre a possibilidade de ser preso.

Em 17 de novembro, Vorcaro foi preso por determinação do magistrado.

Escritório da família de Moraes prestou serviços ao banco

Alexandre de Moraes não era o relator do caso Master no STF. Segundo as informações do processo, o contato com Vorcaro ocorreu depois que o escritório de advocacia Barci de Moraes, pertencente à família do ministro, prestou serviços ao banco.

Desde a divulgação das mensagens, Moraes não se manifestou especificamente sobre o conteúdo das conversas.

Após o encaminhamento das mensagens para Fachin, Moraes incluiu André Mendonça no inquérito das fake news e afirmou que o ministro teria direcionado a investigação contra ele por “motivos políticos”. Posteriormente, a inclusão foi desfeita por Fachin.

PGR questiona investigação de Moraes

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também aparece citado nas mensagens, defendeu durante a tramitação do processo a anulação do relatório da Polícia Federal que identificou as conversas.

Para Gonet, André Mendonça teria investigado Moraes de forma ilegal ao determinar o aprofundamento das apurações relacionadas ao caso Master para analisar as mensagens envolvendo o ministro e Vorcaro.

Segundo o entendimento apresentado pela PGR, esse aprofundamento da investigação somente poderia ter ocorrido após autorização do plenário do Supremo Tribunal Federal.

O julgamento desta terça-feira deverá definir se a apuração envolvendo Alexandre de Moraes poderá prosseguir dentro das regras estabelecidas pelo STF.

Fonte: Agência Brasil

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