Rondônia, 24 de maio de 2026
Justiça Federal recebe denúncia contra garimpeiro acusado de liderar extração ilegal de diamantes em terras indígenas

Justiça Federal recebe denúncia contra garimpeiro acusado de liderar extração ilegal de diamantes em terras indígenas

Réu é acusado de garimpo ilegal, invasão de terras públicas, usurpação de bens da União e uso de rádio clandestino em área indígena de Rondônia.

Porto Velho, RO - A Justiça Federal recebeu integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra um garimpeiro acusado de liderar atividades de extração ilegal de diamantes nas Terras Indígenas Roosevelt e Parque Aripuanã, em área localizada no município de Vilhena, em Rondônia. O processo tramita sob o número 1002291-87.2026.4.01.4103.

Segundo o MPF, o denunciado responde por crimes relacionados à usurpação de bens da União, extração mineral sem autorização, invasão de terras públicas federais e utilização de rádio comunicador clandestino.

Flagrante ocorreu durante a Operação Oraculum

O garimpeiro foi localizado pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Oraculum, realizada em maio de 2023 com participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do próprio MPF.

De acordo com as informações apresentadas na ação penal, o acusado foi abordado em uma estrada de acesso dentro da terra indígena. Na ocasião, ele conduzia uma motocicleta e utilizava um rádio comunicador portátil sem homologação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Para o Ministério Público Federal, o equipamento era utilizado para acompanhar a movimentação das equipes de fiscalização ambiental e auxiliar na coordenação das atividades de garimpo ilegal.

Investigação aponta atuação na região por cinco anos

Durante a investigação, conforme relatado pelo MPF, o réu teria admitido que atuava no garimpo na região havia aproximadamente cinco anos.

Ele também teria informado que estava no local onde ocorreu o flagrante havia cerca de 15 dias. Segundo os elementos reunidos na investigação, o acusado coordenava um acampamento utilizado como estrutura de apoio para aproximadamente 15 garimpeiros.

O MPF sustenta que essas informações indicam uma atuação que não seria pontual, mas estaria relacionada a uma atividade de exploração mineral desenvolvida de maneira contínua na região.

Garimpo teria provocado danos ambientais

Na denúncia, o Ministério Público Federal aponta que a exploração ilegal de diamantes provocou degradação ambiental em uma área especialmente protegida.

Entre os impactos mencionados estão o desmatamento e o revolvimento do solo para a retirada do minério.

O órgão também afirma que a ocupação irregular de patrimônio público para fins de exploração econômica pode atingir diretamente as comunidades indígenas que vivem no território, com riscos aos seus modos de vida tradicionais e à integridade das terras indígenas.

MPF aponta crimes contra bens jurídicos diferentes

Outro ponto destacado na denúncia é que a usurpação de patrimônio mineral da União e a extração mineral sem autorização atingiriam bens jurídicos diferentes.

Segundo o MPF, enquanto a usurpação está relacionada ao patrimônio mineral pertencente à União, a extração sem licença envolve a proteção do meio ambiente.

Por esse motivo, o órgão defende que os fatos podem resultar na responsabilização do acusado pelos dois delitos, além das demais condutas descritas na denúncia.

O MPF também considera que a situação é agravada pelo fato de os crimes terem ocorrido em uma terra indígena, área submetida a proteção especial.

MPF não propôs acordo de não persecução penal

O Ministério Público Federal decidiu não propor ao acusado um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).

Conforme fundamentado na ação, o entendimento foi de que o acordo não seria suficiente para a reprovação e prevenção das condutas investigadas, considerando a gravidade dos crimes atribuídos ao denunciado e os indícios de uma possível atuação habitual na atividade ilegal.

Com o recebimento da denúncia pela Justiça Federal, o acusado passa a responder formalmente à ação penal nº 1002291-87.2026.4.01.4103.

O recebimento da denúncia significa que a Justiça considerou presentes elementos suficientes para dar prosseguimento ao processo criminal. A responsabilização definitiva depende do julgamento da ação e do exercício do direito de defesa do acusado.

MPF pede indenização de R$ 200 mil

Além das medidas na esfera criminal, o Ministério Público Federal solicitou que o réu seja condenado ao pagamento de R$ 200 mil por danos morais coletivos.

De acordo com o pedido, o valor deverá ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, com a finalidade de contribuir para a reparação dos prejuízos causados à sociedade e ao ecossistema da terra indígena atingida pela exploração ilegal.

A denúncia foi assinada pelo procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, titular do 2º Ofício da Amazônia Ocidental, unidade especializada no enfrentamento à mineração ilegal nos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia.

Os pedidos apresentados pelo Ministério Público Federal ainda serão analisados no decorrer da ação penal pela Justiça Federal, responsável pelo julgamento do caso.

Processo: 1002291-87.2026.4.01.4103
Local dos fatos: Terras Indígenas Roosevelt e Parque Aripuanã, em área de Vilhena (RO)
Operação: Oraculum
Valor solicitado por danos morais coletivos: R$ 200 mil

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