Rondônia, 24 de maio de 2026
Flor comestível? Conheça Plantas Alimentícias Não Convencionais encontradas em RO

Flor comestível? Conheça Plantas Alimentícias Não Convencionais encontradas em RO

PANCs são, em sua maioria, mais nutritivas do que hortaliças tradicionais e apresentam um teor muito elevado de vitaminas, minerais, proteínas e fibras.

Porto Velho, RO - Presente em todo o estado de Rondônia, espécies como taioba, ora-pro-nóbis, caruru e beldroega costumam crescer espontaneamente em quintais, calçadas e terrenos baldios. Apesar de muitas vezes serem tratadas como "mato", elas fazem parte das chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), grupo de vegetais com alto valor nutricional.

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Flor comestível? Conheça Plantas Alimentícias Não Convencionais encontradas em RO

A especialista destaca que, embora pouco conhecidas, muitas dessas espécies podem ser até mais nutritivas do que hortaliças tradicionais e apresentam um teor muito elevado de vitaminas, minerais, proteínas e fibras.

"São plantas ou vegetais ou partes de plantas comestíveis que não fazem parte do nosso hábito alimentar cotidiano. Elas não possuem uma cadeia produtiva em larga escala, como acontece com a alface, por exemplo", explica a professora de Botânica da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Osvanda Silva de Moura.

Flor da PANC Begônia — Foto: Acervo Pessoal


Quais são as PANCs encontradas em Rondônia?

De acordo com a professora, por causa da biodiversidade amazônica, Rondônia reúne uma grande variedade dessas plantas. Entre as mais conhecidas estão:

    * taioba;
    * caruru;
    * beldroega;
    * ora-pro-nóbis;
    * inhame;
    * caapeba;
    * pajurá;
    * araçá-boi;
    * Lambari-roxo;
    * camu-camu.

No Viveiro Educativo da Unir também são cultivadas espécies como buganvília (primavera), brilhantina, erva-de-jabuti, begônia e sara-tudo.

Flor da PANC Ora-pro-nobis — Foto: Acervo Pessoal


Como consumir com segurança?

Apesar dos benefícios, Osvanda alerta que é fundamental identificar corretamente cada espécie antes do consumo.

"Nunca deve consumir uma planta se tiver dúvidas sobre a espécie, porque muitas plantas tóxicas podem se parecer com PANC", orienta.

Ela cita a taioba como um dos principais exemplos. A espécie comestível costuma ser confundida com a taioba-brava, que possui altos níveis de oxalato de cálcio e pode provocar irritações e intoxicações, mesmo após o cozimento.

Também é recomendado evitar colher plantas em locais com risco de contaminação, como áreas próximas a esgoto, vias com tráfego intenso ou locais frequentados por animais. A higienização também é indispensável antes do preparo.

As PANCs podem ser consumidas de diferentes formas, dependendo da espécie. Algumas são usadas em saladas, sucos e pratos frios, enquanto outras precisam ser cozidas antes do consumo. Também podem ser utilizadas em sopas, refogados, bolos, pães e massas.

"Nós já fizemos patê com ora-pro-nóbis, pizza e suco com lambari-roxo, bolo de capim-santo, picolé de vinagreira e suco de buganvília", conta a professora.

Dindin feito na Unir da PANC Vinagreira — Foto: Acervo Pessoal


Segurança alimentar

Além dos benefícios nutricionais, a pesquisadora ressalta que as PANCs podem contribuir para ampliar o acesso à alimentação.

"Elas servem de alternativa também para essas pessoas, porque são de fácil cultivo, crescem rápido, não precisam de agrotóxicos e raramente sofrem com pragas", afirma.

Segundo Osvanda, o maior desafio ainda é o desconhecimento da população.

Flor comestível? Conheça Plantas Alimentícias Não Convencionais encontradas em RO"Muitas pessoas ainda associam essas plantas apenas ao 'mato' e têm receio de consumi-las por falta de informação", conclui.

Professora Osvanda Moura segurando uma PANC e Planta Medicinal Lambari-roxo — Foto: Acervo Pessoal

PANC Pixirica, Mirtilo da Amazônia — Foto: Acervo Pessoal

PANC Brilhantina — Foto: Acervo Pessoal

PANC Erva-de-jabuti ( Peperomia pellucida), mesma família da Pimenta do reino — Foto: Acervo Pessoal

Fonte: G1/RO

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