Rondônia, 24 de maio de 2026
Operação Hawala mira esquema de lavagem de dinheiro de facções e apura possível ligação com terrorismo internacional

Operação Hawala mira esquema de lavagem de dinheiro de facções e apura possível ligação com terrorismo internacional

Ação da Polícia Civil e do MPRJ investiga movimentação superior a R$ 100 milhões atribuída ao TCP, CV e PCC entre 2021 e 2024
 

Porto Velho, RO - A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram, nesta quinta-feira (15), a Operação Hawala, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro utilizado por facções criminosas que atuam no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Segundo as investigações, a organização criminosa movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024, recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades ilícitas atribuídas ao Terceiro Comando Puro (TCP), Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

A operação cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além da cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná.

Ao todo, o Ministério Público denunciou 22 pessoas à Justiça. Destas, 10 tiveram mandados de prisão preventiva expedidos. Até o início da manhã, oito investigados haviam sido presos.

Investigação começou no Complexo de São Carlos

De acordo com a Polícia Civil, as investigações tiveram início após a identificação de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao grupo criminoso responsável pelo tráfico de drogas no Complexo de São Carlos, na região central do Rio de Janeiro, área de atuação do Terceiro Comando Puro.

Com o avanço das apurações, os investigadores concluíram que a estrutura também estaria sendo utilizada para movimentar recursos ilícitos de integrantes do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital.

Empresas de fachada e "laranjas"

Segundo a denúncia, o grupo utilizava empresas de fachada instaladas em diferentes estados para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido por meio do tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados.

As investigações apontam que os envolvidos recorriam à abertura de empresas recém-criadas, depósitos bancários fracionados, utilização de pessoas interpostas ("laranjas"), cooptação de contadores e outras estratégias para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Durante a investigação, foram analisadas centenas de movimentações financeiras e as atividades de diversas empresas vinculadas aos investigados. Conforme a Polícia Civil, as transações identificadas apresentavam valores incompatíveis com a capacidade financeira declarada tanto pelas pessoas físicas quanto pelas pessoas jurídicas envolvidas.

Polícia apura possível conexão com financiamento do terrorismo

Além da atuação das facções criminosas brasileiras, a Polícia Civil investiga a hipótese de que o esquema também tenha sido utilizado para financiar organizações internacionais classificadas como terroristas.

Segundo os investigadores, foi identificada uma relação comercial entre um dos investigados e um homem sancionado pelo governo dos Estados Unidos por supostamente integrar a estrutura de financiamento da Al-Qaeda.

De acordo com a corporação, essa informação integra uma linha de investigação que ainda será aprofundada para verificar se houve, de fato, qualquer vínculo entre o esquema de lavagem de dinheiro das facções brasileiras e o financiamento de organizações terroristas internacionais.

As investigações prosseguem para identificar outros envolvidos, rastrear o destino dos recursos e esclarecer a extensão da atuação da organização criminosa.

Fonte: Agência Brasil

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