Rondônia, 31 de março de 2026
Ancelotti redefine papel de Neymar e prepara retorno gradual do camisa 10 na Seleção Brasileira

Ancelotti redefine papel de Neymar e prepara retorno gradual do camisa 10 na Seleção Brasileira

Técnico italiano vê atacante atuando mais centralizado e pretende utilizá-lo por poucos minutos no duelo contra a Escócia para preservar condição física

Porto Velho, RO - A volta de Neymar à Seleção Brasileira marca também uma mudança significativa em sua função dentro de campo. Em entrevista concedida durante a preparação da equipe em Miami, nos Estados Unidos, o técnico Carlo Ancelotti deixou claro que não pretende utilizar o camisa 10 como ponta, posição que consagrou o jogador ao longo da carreira.

“O Neymar tem que jogar por dentro do campo, não pode jogar por fora. Ele não vai jogar como extremo, vai jogar por dentro do campo, como atacante ou segundo atacante”, afirmou o treinador.

A declaração evidencia a avaliação de Ancelotti sobre a atual fase da carreira do jogador. Aos 34 anos, Neymar já não é visto como o atleta que atuava aberto pela esquerda e explorava velocidade e dribles constantes, especialmente nos tempos de Barcelona. A proposta agora é utilizá-lo em uma função mais centralizada, próxima da área adversária.

Nesse novo papel, Neymar atuaria como um falso centroavante ou segundo atacante, participando da construção das jogadas, distribuindo passes decisivos, rompendo linhas defensivas e finalizando com mais frequência. A mudança também reduz a necessidade de longos deslocamentos e desgaste físico ao longo da partida.

Apesar da expectativa em torno de seu retorno, Ancelotti pretende agir com cautela. O planejamento da comissão técnica prevê que Neymar seja utilizado apenas nos minutos finais da partida contra a Escócia, com uma participação estimada entre 15 e 25 minutos.

A decisão leva em consideração a falta de ritmo de jogo e o histórico recente de lesões do atleta. Embora apresente boa evolução física, a preocupação da comissão médica é evitar uma nova lesão muscular, especialmente na região da panturrilha.

A cautela se tornou ainda mais importante após os problemas físicos enfrentados por Raphinha, que sofreu uma lesão muscular e corre risco de desfalcar a equipe por um período mais longo durante a competição.

Mesmo acostumado ao protagonismo ao longo da carreira, Neymar tem demonstrado compreensão em relação ao planejamento elaborado pela comissão técnica. O atacante reconhece a necessidade de seguir os protocolos médicos e físicos para garantir condições de disputar o restante do torneio.

Com um histórico de dezenas de lesões e cinco cirurgias ao longo da carreira, o camisa 10 sabe que a preservação física será determinante para sua participação na competição. O próprio jogador tem consciência de que esta pode ser sua última Copa do Mundo, aumentando a importância de cada decisão tomada nos bastidores.

Para Ancelotti, o desafio é encontrar o equilíbrio entre aproveitar o talento do principal jogador brasileiro e evitar riscos desnecessários. A expectativa é que Neymar possa contribuir de forma decisiva na reta final do torneio, especialmente em jogos de maior exigência técnica.

O retorno do camisa 10 reacende a esperança da torcida brasileira, que vê no atacante uma das principais referências técnicas da equipe. Agora, a aposta está menos na velocidade e mais na inteligência, na criatividade e na capacidade de decidir partidas em momentos cruciais.

O talento permanece o mesmo. O que muda é a forma de utilizá-lo.

Fonte: R7

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