Rondônia, 31 de março de 2026
Retomada da UFN3 pode gerar até 8 mil empregos, mas falta de mão de obra preocupa em Mato Grosso do Sul

Retomada da UFN3 pode gerar até 8 mil empregos, mas falta de mão de obra preocupa em Mato Grosso do Sul

Petrobras aposta em qualificação profissional para suprir demanda durante obras da fábrica de fertilizantes em Três Lagoas

Porto Velho, RO - A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, prevista para começar entre junho e julho deste ano, traz um desafio que vai além da engenharia: encontrar trabalhadores suficientes para ocupar até 8 mil vagas diretas no pico da construção.

Diante da escassez de mão de obra qualificada e do cenário de pleno emprego em Mato Grosso do Sul, a Petrobras aposta na capacitação profissional como principal estratégia para viabilizar o cronograma do empreendimento.

De acordo com o gerente-executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, a escassez de trabalhadores já é tratada como um “ponto de atenção”, especialmente diante da concorrência com outros grandes projetos industriais instalados no estado, principalmente no setor de celulose.

“Vamos deixar um ponto de atenção. A nossa expectativa é de que a maior parte da mão de obra seja qualificada na região”, afirmou o executivo.

Qualificação como solução

Para enfrentar o gargalo, a Petrobras pretende ampliar programas de qualificação profissional já aplicados em outros empreendimentos da companhia. Um dos principais instrumentos é o programa Autonomia e Renda, desenvolvido em parceria com instituições técnicas como o Senai.

A iniciativa prevê cursos voltados às necessidades da construção industrial pesada, como soldagem, montagem industrial, elétrica e instrumentação.

A estatal também estuda ampliar a oferta de vagas de capacitação em Três Lagoas e municípios vizinhos, priorizando a formação de trabalhadores locais antes mesmo do início das obras.

Disputa por profissionais

A corrida por mão de obra tende a se intensificar, já que Mato Grosso do Sul vive um ciclo de grandes investimentos industriais, especialmente no chamado Vale da Celulose, onde fábricas chegam a demandar até 10 mil trabalhadores no auge das obras.

Esse cenário aumenta a competição por profissionais qualificados e pressiona empresas a investir em treinamento e retenção.

“A gente está falando de um estado pouco populoso, com vários grandes projetos acontecendo ao mesmo tempo”, destacou Magalhães.

Impacto econômico

No auge da construção, a UFN3 deve empregar entre 7 mil e 8 mil trabalhadores diretamente, além de gerar milhares de vagas indiretas em setores como comércio, transporte, alimentação e serviços.

“Se você tem 8 mil pessoas trabalhando, isso naturalmente gera um reflexo importante na economia das cidades do entorno”, afirmou o executivo.

Desafio permanente

A dificuldade de contratação não deve se limitar à fase de obras. Após a conclusão, a unidade deverá demandar profissionais especializados para a operação industrial, reforçando a necessidade de formação contínua.

Especialistas avaliam que investimentos em capacitação serão decisivos para sustentar o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul, que vive forte expansão no agronegócio e na industrialização, mas enfrenta limitações na oferta de trabalhadores qualificados.

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