Porto Velho, RO - A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas, prevista para começar entre junho e julho deste ano, traz um desafio que vai além da engenharia: encontrar trabalhadores suficientes para ocupar até 8 mil vagas diretas no pico da construção.
Diante da escassez de mão de obra qualificada e do cenário de pleno emprego em Mato Grosso do Sul, a Petrobras aposta na capacitação profissional como principal estratégia para viabilizar o cronograma do empreendimento.
De acordo com o gerente-executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, a escassez de trabalhadores já é tratada como um “ponto de atenção”, especialmente diante da concorrência com outros grandes projetos industriais instalados no estado, principalmente no setor de celulose.
“Vamos deixar um ponto de atenção. A nossa expectativa é de que a maior parte da mão de obra seja qualificada na região”, afirmou o executivo.
Qualificação como solução
Para enfrentar o gargalo, a Petrobras pretende ampliar programas de qualificação profissional já aplicados em outros empreendimentos da companhia. Um dos principais instrumentos é o programa Autonomia e Renda, desenvolvido em parceria com instituições técnicas como o Senai.
A iniciativa prevê cursos voltados às necessidades da construção industrial pesada, como soldagem, montagem industrial, elétrica e instrumentação.
A estatal também estuda ampliar a oferta de vagas de capacitação em Três Lagoas e municípios vizinhos, priorizando a formação de trabalhadores locais antes mesmo do início das obras.
Disputa por profissionais
A corrida por mão de obra tende a se intensificar, já que Mato Grosso do Sul vive um ciclo de grandes investimentos industriais, especialmente no chamado Vale da Celulose, onde fábricas chegam a demandar até 10 mil trabalhadores no auge das obras.
Esse cenário aumenta a competição por profissionais qualificados e pressiona empresas a investir em treinamento e retenção.
“A gente está falando de um estado pouco populoso, com vários grandes projetos acontecendo ao mesmo tempo”, destacou Magalhães.
Impacto econômico
No auge da construção, a UFN3 deve empregar entre 7 mil e 8 mil trabalhadores diretamente, além de gerar milhares de vagas indiretas em setores como comércio, transporte, alimentação e serviços.
“Se você tem 8 mil pessoas trabalhando, isso naturalmente gera um reflexo importante na economia das cidades do entorno”, afirmou o executivo.
Desafio permanente
A dificuldade de contratação não deve se limitar à fase de obras. Após a conclusão, a unidade deverá demandar profissionais especializados para a operação industrial, reforçando a necessidade de formação contínua.
Especialistas avaliam que investimentos em capacitação serão decisivos para sustentar o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul, que vive forte expansão no agronegócio e na industrialização, mas enfrenta limitações na oferta de trabalhadores qualificados.