Balança comercial de Rondônia tem superávit de US$ 177 milhões em março e reverte déficit do início do ano

Balança comercial de Rondônia tem superávit de US$ 177 milhões em março e reverte déficit do início do ano

Agronegócio impulsiona resultado e amplia inserção do estado no mercado internacional

Porto Velho, RO - O Observatório da Indústria de Rondônia divulgou os dados da balança comercial referentes a março de 2026, apontando uma recuperação expressiva da economia estadual, com superávit de US$ 177,1 milhões.

De acordo com o levantamento, as exportações somaram US$ 470,6 milhões, enquanto as importações alcançaram US$ 293,5 milhões, consolidando uma guinada estratégica após o déficit registrado no primeiro bimestre do ano. Esse saldo negativo inicial, de US$ 66,7 milhões, havia sido impulsionado principalmente pela alta nas importações de fertilizantes e insumos agrícolas .

Agro como motor da recuperação

O desempenho positivo de março foi puxado pelo agronegócio, acompanhando o período de escoamento da safra. Soja e carne bovina dominaram a pauta exportadora, respondendo por cerca de 95% das vendas externas.

  • Soja: US$ 313,3 milhões (66,6%)
  • Carne bovina: US$ 130,8 milhões (28%)

Apesar da presença de outros produtos, como algodão, madeira e derivados animais, a participação ainda é reduzida. O cenário reforça um desafio estrutural: a baixa agregação de valor industrial, com predominância da exportação de commodities.

Novos mercados e diversificação

Um dos destaques do relatório é a mudança no perfil dos destinos das exportações. Em março, houve maior diversificação dos parceiros comerciais:

  • Turquia: 22%
  • México: 21%
  • China: 20,9%

A liderança da Turquia reflete estratégias logísticas e comerciais adotadas pelo Brasil, ampliando rotas e alternativas de escoamento da produção.

Dependência de insumos externos

Mesmo com o saldo positivo, o relatório aponta uma dependência estrutural nas importações, especialmente de insumos agrícolas. Os fertilizantes lideraram as compras externas, somando cerca de US$ 62 milhões, com fornecedores como Turcomenistão, Marrocos e Venezuela.

Além disso, produtos como aço e pneus também aparecem na pauta, evidenciando que as importações estão diretamente ligadas à sustentação da cadeia produtiva — e não ao consumo final.

Desafio para o futuro

O cenário revela um modelo econômico eficiente na produção e exportação de commodities, mas ainda vulnerável às oscilações do mercado internacional. Especialistas apontam a necessidade de políticas voltadas à industrialização e à agregação de valor como caminho para fortalecer a economia rondoniense no longo prazo.

O estudo do Observatório tem justamente esse objetivo: transformar dados em inteligência estratégica, apoiando decisões de empresários e gestores públicos e ampliando a competitividade de Rondônia no cenário global.

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