Rondônia, 31 de março de 2026
Apesar de confirmação de Israel, Líbano diz que presidente não vai conversar com Netanyahu, diz agência

Apesar de confirmação de Israel, Líbano diz que presidente não vai conversar com Netanyahu, diz agência

Essa seria a 1º reunião direta entre os líderes dos dois países em décadas. Ministra israelense tinha confirmado conversa nesta quinta-feira (16), mas embaixada do Líbano nos EUA negou, de acordo com a Reuters.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursa durante uma coletiva de imprensa em Jerusalém. — Foto: Ronen Zvulun, Pool Photo via AP

Porto Velho, RO - A embaixada libanesa nos EUA negou nesta quinta-feira (16) que o presidente libanês, Joseph Aoun, falaria com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, segundo fontes informaram à Reuters.

A declaração acontece após a ministra israelense de Inovação e integrante do gabinete de segurança política, Gila Gamliel afirmar, também nesta quinta, que os líderes conversariam. Seria a primeira vez, em décadas, que lideranças dos dois países vão se comunicar diretamente.

"O primeiro-ministro falará pela primeira vez com o presidente do Líbano após tantos anos de ruptura total do diálogo entre ambos os países, e cabe esperar que esta iniciativa conduza finalmente à prosperidade e ao desenvolvimento do Líbano como Estado", declarou Gamliel sem especificar quando nem como isso ocorrerá.

Um contato entre Netanyahu e Aoun seria um marco nas relações entre Líbano e Israel — países que permanecem em estado de guerra desde a criação de Israel, em 1948, segundo a Reuters. Mas o Hezbollah, grupo extremista libanês apoiado pelo Irã, se opõe a contatos entre Líbano e Israel.

Na quarta-feira (15), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que líderes de Israel e Líbano conversariam pela primeira vez em 34 anos nesta quinta. Em uma publicação em sua rede social, ele disse que está tentando criar um espaço para que os líderes e Israel e Líbano conversem.

Segundo Trump, essa conversa deve ocorrer nesta quinta após 34 anos desde o último contato entre esses líderes. Ele não deu detalhes e não ficou claro se se referia aos chefes de Estado dos dois países ou a outros altos funcionários.

➡️ Contexto: o conflito entre Israel e Hezbollah foi retomado no início de março, após o grupo terrorista (que é apoiado por Teerã) lançar ataques aéreos contra o território israelense, em retaliação a bombardeios de Israel a alvos no Irã. As ações mergulharam o Líbano em uma crise humanitária.

Na terça-feira (14), embaixadores dos dois países se reuniram para discutir um possível cessar-fogo o Departamento de Estado dos EUA, em Washington.

Ao sair do primeiro encontro, o embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, disse que o governo libanês deixou claro que não quer mais o país "ocupado" pelo grupo extremista Hezbollah, e que houve conversas sobre uma visão de longo prazo para uma fronteira claramente delimitada entre os dois países.

No entanto, ele não se comprometeu com um cessar-fogo entre Tel Aviv e Berute.

"Quanto a um cessar-fogo, estamos lidando com apenas uma coisa, e deixei isso muito claro: estamos focados na segurança dos residentes do Estado de Israel", declarou Leiter.

Atualmente, a fronteira entre os dois países é delimitada pela Linha Azul, definida pela ONU no ano 2000. Em março de 2026, no entanto, as forças de Israel ocuparam o sul libanês entre a Linha Azul e o rio Litani, ordenando a remoção da população local, sob a justificativa de combater o Hezbollah.

De acordo com os EUA, Israel e Líbano concordaram em prosseguir com as conversas "em um momento e local acordado mutuamente" no futuro.

Leiter conversou por duas horas com a embaixadora do Líbano nos EUA, Nada Hamden Moawad. O secretário de Estado, Marco Rubio, também esteve presente na reunião.

Guerra entre Israel e Hezbollah

https://g1.globo.com/mundo/video/videos-mostram-bombardeios-de-israel-em-beirute-e-tiro-no-libano-em-meio-a-cessar-fogo-14505775.ghtml
Vídeos mostram bombardeios de Israel em Beirute e Tiro, no Líbano, em meio a cessar-fogo


O conflito entre Israel e o Hezbollah, grupo terrorista libanês aliado ao Irã, é um desdobramento da guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

Desde o reinício das ofensivas, os ataques israelenses no Líbano já mataram pelo menos 2 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde libanês. O fim do conflito no Líbano é um dos pontos centrais na discussão de um cessar-fogo entre Washington, Tel Aviv e Teerã.

Nesta quinta-feira (16), Israel destruiu a última ponte que ligava o sul do Líbano ao resto do país, região que faz fronteira com o país, segundo uma autoridade libanesa informou à Reuters.

"Aviões inimigos realizaram dois ataques consecutivos à ponte Qasmieh, a última ponte entre as regiões de Tiro e Sidon, destruindo-a completamente", disse a Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano nesta quinta.

Nesta quarta-feira (15), o exército israelense também matou quatro socorristas libaneses e feriu outros seis em três ataques consecutivos, disseram grupos de paramédicos.

Fonte: G1

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