Wagner Moura chama Bolsonaro de “Trump brasileiro” em talk show dos EUA

Wagner Moura chama Bolsonaro de “Trump brasileiro” em talk show dos EUA

Ator indicado ao Oscar ligou nascimento de “O Agente Secreto” ao governo do ex-presidente e relembrou “Marighella”

Wagner Moura no Bafta Film Awards em Londres, na Inglaterra • Max Cisotti/Dave Benett/Getty Images

Porto Velho, RO - O ator Wagner Moura, 49, chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “Trump brasileiro” em entrevista exibida em rede nacional nos Estados Unidos nesta quarta-feira (4), na reta final da campanha do Oscar.

O programa “Jimmy Kimmel Live!”, da emissora ABC, dedicou boa parte da conversa de oito minutos à política brasileira e ao contexto em que surgiu o filme “O Agente Secreto”, que rendeu a Moura a indicação ao Oscar de Melhor Ator, e ainda concorre em outras três categorias, inclusive Melhor Filme.

Ao comentar o discurso de Jimmy Kimmel em outra premiação, no Critics Choice Awards, em janeiro, Moura disse que cogitava agradecer a Bolsonaro se vencesse o Oscar, em referência ao agradecimento irônico que o apresentador americano fez a Donald Trump.

“Eu pensei que era uma ideia brilhante e que eu deveria basicamente agradecer ao Bolsonaro. Bolsonaro é o nosso Donald Trump brasileiro”, afirmou Moura, arrancando risos e aplausos da plateia.

Em seguida, Kimmel reforçou a comparação ao lembrar que, na visão dele, Bolsonaro é “anti-gay, anti-mulher, anti-todo mundo”. E “anti-democracia”, lembrou Moura.

O ator brasileiro disse que “O Agente Secreto” nasceu do estranhamento que ele e o diretor do filme, Kleber Mendonça Filho, sentiram em relação ao que acontecia no país durante o governo Bolsonaro (2018-2022).

Segundo o protagonista do filme brasileiro, o longa surgiu a partir da forma como os dois observavam o ambiente político e social sob o governo Bolsonaro, e por isso ele afirma que o filme “não teria acontecido” sem esse contexto.

Ao falar sobre a reação institucional aos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, Moura comparou a situação brasileira com os eventos de 6 de janeiro de 2021, nos Estados Unidos.

Ele afirmou que os dois países viveram episódios semelhantes, com contestação de resultados eleitorais, invasão de prédios públicos e depredação. “A gente teve exatamente a mesma coisa, um negacionista da eleição incentivando as pessoas invadirem as instituições e destruírem tudo.”

Na avaliação de Moura, porém, o Brasil respondeu de forma mais veloz. Ele afirmou que o país foi “muito rápido” em prender participantes e financiadores dos atos, além de responsabilizar Bolsonaro.

“O Brasil foi muito rápido em mandar as pessoas para a cadeia. O Bolsonaro está preso. Os financiadores estão presos”, resumiu Moura.

Para o ator, essa reação tem ligação direta com a memória da ditadura militar no país. “Isso aconteceu porque os brasileiros sabem o que é uma ditadura”.

Em outro momento, Moura contou que nasceu em 1976 e que, embora não tenha crescido plenamente sob o regime militar, sente que “os ecos da ditadura ainda estão muito presentes no Brasil”.

Ele disse que a ditadura terminou formalmente em 1985, mas que, na prática, muitos traços permaneceram. Na fala dele, Bolsonaro é “uma manifestação desses ecos”, tanto pelo elogio público que faz ao período autoritário quanto pela forma como trata temas ligados a direitos civis e instituições democráticas.

A entrevista também abordou “Marighella”, filme de 2019 dirigido por Moura sobre o militante que liderou a resistência armada à ditadura.

O ator contou que rodou o longa em 2017, antes da eleição de Bolsonaro, e que a estreia mundial ocorreu em 2019, no Festival de Berlim. Segundo ele, depois que Bolsonaro assumiu a Presidência, o governo “fez tudo o que podia” para dificultar o lançamento no Brasil.

Moura relatou que o filme só chegou ao circuito comercial brasileiro em 2021, dois anos após a première internacional, e disse que o interesse do público cresceu justamente por causa dessa resistência ao filme.

Na conversa com Kimmel, ele lembrou que Bolsonaro “elogia a ditadura” e considera aquele período um “grande momento” da história do país.
Debate nos EUA

Kimmel também perguntou como Moura enxerga a democracia nos Estados Unidos, onde o ator mora atualmente, citando a tradição americana de se ver como um país em que “a justiça prevalece”.

Moura disse que tinha receio de que parte dos americanos tratasse a democracia como algo garantido, mas mencionou episódios recentes, como os protestos em Minneapolis, onde dois americanos foram mortos por policiais da imigração, para dizer que o país ainda exerce influência nas lutas por direitos civis.

Ele afirmou que muitos valores ligados a direitos e democracia “foram exportados” pelos Estados Unidos e ajudaram a orientar debates no Brasil.

A conversa terminou em tom mais leve, com Kimmel destacando a popularidade de Moura ao mostrar os bonecos gigantes do Carnaval de Olinda que representam o ator e outras figuras conhecidas.

Fonte: CNN Brasil

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