Porto Velho, RO - A investigação sobre a morte da adolescente Marta Isabele avança para a fase final com a conclusão do laudo tanatoscópico, que aponta um cenário de lesões antigas, sinais de imobilização prolongada e infecções generalizadas decorrentes da falta de cuidados médicos. As informações foram confirmadas pela delegada responsável pelo caso durante entrevista.
De acordo com a autoridade policial, o exame realizado pelo médico legista será anexado ao inquérito e contém elementos técnicos detalhados que reforçam a linha investigativa adotada pela Polícia Civil.
Laudo aponta lesões antigas e infecções
Segundo a delegada, o laudo evidencia que a adolescente apresentava múltiplas lesões antigas, compatíveis com um quadro de imobilização contínua e prolongada.
Ainda conforme as informações repassadas, houve ausência de tratamento adequado das feridas, o que resultou em infecções espalhadas pelo corpo. A investigação aponta que Marta Isabele não recebeu atendimento médico mínimo, o que teria eliminado qualquer possibilidade de reversão do quadro clínico.
“O laudo está rico em informações técnicas e deixa muito claro o estado em que a vítima se encontrava”, afirmou a delegada.
Prazo legal do inquérito
Por se tratar de réu preso, o inquérito policial segue o prazo legal de dez dias para conclusão e apresentação do relatório final. A delegada informou que o trabalho está em fase de finalização.
Ela ressaltou que algumas informações não podem ser divulgadas neste momento para não comprometer a reta final das investigações. Entre os pontos analisados estão relatos que circularam nas redes sociais, incluindo a suposta visita de um líder religioso à residência.
“Todas as informações divulgadas estão sendo apuradas dentro do inquérito policial”, destacou.
Depoimento da mãe
A mãe da adolescente foi localizada e prestou depoimento. Ela reside no Rio Grande do Norte e relatou que mantinha contato com a filha por meio de videochamadas, utilizando o telefone da madrasta.
Segundo o depoimento, havia dificuldade frequente para falar com a adolescente. Quando questionava sobre a filha, recebia informações de que ela estaria em retiro ou na escola. A mãe afirmou ainda que foi informada de que Marta Isabele havia passado de ano, embora, segundo as investigações, a adolescente já não estivesse frequentando as aulas.
A Polícia Civil aponta que tanto o pai quanto a madrasta teriam repassado informações falsas de forma consciente.
Indícios contra a madrasta
A delegada afirmou que há indícios de participação direta da madrasta nas agressões físicas. Conforme o inquérito, a adolescente era obrigada a dormir no chão, sem coberta, e recebia restos de comida.
Testemunhas também relataram episódios de corte forçado de cabelo e comportamentos motivados por ciúmes.
Sobre a apuração de possíveis crimes de natureza sexual, a autoridade policial informou que o tema está sendo tratado no inquérito, mas que detalhes não podem ser divulgados neste momento.
O relatório conclusivo deverá ser encaminhado ao Poder Judiciário dentro do prazo legal. O caso segue sob investigação e continua sendo acompanhado com grande repercussão social.