Porto Velho, RO - O governador de Rondônia, Marcos Rocha, determinou a abertura de uma apuração interna na Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia em meio ao crescimento de denúncias sobre irregularidades, contratos suspeitos e, principalmente, ao colapso no atendimento à população.
A medida partiu do próprio Gabinete do Governador e resultou na instauração de uma inspeção extraordinária pela Controladoria-Geral do Estado de Rondônia, com foco na análise de contratos e na execução financeira da pasta. O documento que deu origem à investigação tramita sob sigilo, ampliando o clima de tensão nos bastidores do governo.
Nos corredores do poder, a leitura é de que o governador busca identificar responsáveis por um problema que se arrasta desde o início de sua gestão e que, após quase oito anos, ainda não encontrou solução definitiva.
Troca de equipe e sinal político
Inicialmente, a CGE designou uma equipe formada majoritariamente por assistentes de controle interno para conduzir os trabalhos. Poucos dias depois, a composição foi revogada e substituída por auditores mais experientes, muitos com maior tempo de serviço público.
A mudança é interpretada como tentativa de conferir mais peso institucional à investigação e sinalizar firmeza diante da pressão política e midiática.
Para analistas da cena política, porém, a movimentação também tem caráter defensivo.
“Não é uma investigação para resolver a saúde. É uma investigação para tentar achar um culpado”, avalia um observador ouvido pela reportagem.
Saúde em colapso
Enquanto o governo anuncia auditorias, unidades de saúde seguem enfrentando filas, falta de exames, cirurgias represadas e pacientes aguardando meses por atendimento.
Nos últimos meses, vídeos, fotos e denúncias feitas por parlamentares, servidores e usuários do sistema expuseram um cenário que contrasta com os discursos oficiais.
A população questiona por que, diante de problemas considerados antigos, a iniciativa de apuração só ocorre agora.
Ano pré-eleitoral e desgaste
Com a proximidade do ano eleitoral, a crise na saúde tornou-se um dos principais pontos de desgaste da gestão Marcos Rocha. A abertura de investigações internas é vista, por parte de críticos, como estratégia para conter danos políticos, redistribuir responsabilidades e construir a narrativa de que as falhas estariam restritas a setores técnicos.
Na prática, contudo, os impactos recaem diretamente sobre os usuários do sistema público.
Silêncio oficial
A Casa Civil, a Sesau e a CGE foram procuradas para comentar o conteúdo do documento que fundamenta a investigação e detalhar os objetivos da apuração, mas não se manifestaram até o fechamento desta edição.
Enquanto isso, a crise permanece sem solução concreta, e a saúde pública em Rondônia segue sob forte pressão.