Porto Velho, RO - O governador de Rondônia e presidente estadual do PSD, Marcos Rocha, vive um momento de forte tensão política dentro de sua base. O principal foco de conflito atende pelo nome de Laerte Gomes, deputado estadual que tem resistido abertamente à intenção do governador de incluir mais parlamentares estaduais na nominata do partido para as próximas eleições.
Nos bastidores, aliados relatam que Laerte foi direto ao tratar do tema com o próprio governador. Em conversa reservada, teria afirmado:
“Aqui tem homem e com mandato só eu, Cássio Góes e Eyder Brasil.”
A declaração repercutiu internamente e escancarou divisões dentro do PSD.
Clima de confronto no partido
Ao lado de Cássio Góes, Laerte Gomes tem mantido posição dura e rejeitado a ampliação da chapa com novos nomes. O posicionamento evidencia um racha e expõe as dificuldades de Marcos Rocha em manter coesão entre seus aliados, mesmo comandando a sigla no estado.
O desafio de acomodar aliados
Paralelamente ao impasse no PSD, o governador enfrenta outro problema: encontrar espaço político para um grupo numeroso de aliados que buscam legenda competitiva para 2026. Entre os nomes citados nos bastidores estão Carlos Magno, além dos deputados estaduais Pedro Fernandes Ribeiro (Sinpol), Edevaldo Neves, Nim Barroso, Jean Oliveira, Cirone Deiró, Ismael Crispin, Delegado Lucas e Dr. Luiz Hospital.
Diante do cenário, o Palácio Rio Madeira passou a sondar outras legendas, como PRD, PSD, Novo e DC, na tentativa de distribuir candidaturas e evitar rupturas na base governista.
Muitos aliados, poucas vagas
O núcleo do impasse é político e matemático. Marcos Rocha conta hoje com cerca de 16 deputados estaduais aliados, mas precisa organizar nominatas viáveis para garantir a reeleição de boa parte deles — tarefa considerada extremamente difícil no atual cenário eleitoral.
O cargo de deputado estadual tornou-se ainda mais disputado, sobretudo por conta de benefícios como:
* Cerca de R$ 21 milhões em emendas parlamentares;* Estrutura robusta de gabinete e assessoria;
* Mais de 100 cargos vinculados ao mandato e à Assembleia Legislativa;
* Influência direta sobre espaços no governo e em prefeituras.
Cenário eleitoral mais restrito
Nas eleições de 2022, apenas 45 candidatos a deputado estadual ultrapassaram a marca de 5 mil votos, em um universo de mais de 600 postulantes. Para 2026, com mudanças na legislação eleitoral, o número de candidatos deve cair para aproximadamente 300, reduzindo o espaço para novos nomes e tornando a disputa ainda mais acirrada.
Com isso, partidos têm enfrentado dificuldade para formar nominatas equilibradas, já que faltam os chamados “escadinhas” — candidatos com votações entre 1 mil e 5 mil votos que ajudam a puxar quociente eleitoral.
Um jogo político complexo
Marcos Rocha tenta reorganizar sua base, negociar alianças e redistribuir espaços partidários. No entanto, o ambiente permanece tenso, com resistências internas e pouca margem de manobra.
Enquanto isso, Laerte Gomes mantém posição firme dentro do PSD, deixando claro que não pretende abrir espaço para novos parlamentares na chapa.
O cenário aponta para um tabuleiro político cada vez mais disputado, no qual cálculo eleitoral, alinhamento partidário e capacidade de articulação serão decisivos para o futuro das principais lideranças estaduais.