Justiça Federal determina medidas para reparar impactos da usina de Santo Antônio sobre povos indígenas em RO

Justiça Federal determina medidas para reparar impactos da usina de Santo Antônio sobre povos indígenas em RO

Juiz entendeu que houve falhas e atrasos na execução do Plano Básico Ambiental – Componente Indígena (PBA-CI), conjunto de ações obrigatórias destinadas a reduzir os impactos da usina sobre as comunidades indígenas.

Decisão fixa prazos para Funai e empresa apresentarem relatórios, atualizar plano ambiental e realizar novos estudos sobre danos ao território

Porto Velho, RO - A Justiça Federal em Rondônia determinou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Santo Antônio Energia adotem uma série de medidas para reparar impactos ambientais e sociais causados pela hidrelétrica instalada no Rio Madeira, em Porto Velho, sobre povos indígenas da região.

A decisão atende a uma ação civil pública ajuizada em 2015 pela Associação dos Povos Indígenas Karipuna, que alegou aumento de invasões por grileiros, exploração ilegal de madeira e minérios, loteamentos irregulares e desmatamento dentro da Terra Indígena Karipuna após a construção da usina. Em 2019, o Ministério Público Federal (MPF) passou a integrar o processo e pediu a inclusão de povos indígenas isolados, além dos povos Cassupã e Salamãi, como possivelmente afetados.

Na sentença, o juiz reconheceu falhas e atrasos na execução do Plano Básico Ambiental – Componente Indígena (PBA-CI), exigência para a concessão da licença ambiental do empreendimento.

Entre as determinações impostas estão:

    * Em até 90 dias: Funai e Santo Antônio Energia devem apresentar relatório detalhando o que já foi cumprido e o que ainda falta executar nas duas primeiras fases do PBA-CI. No mesmo prazo, a Funai deverá ouvir as comunidades indígenas para definir o uso dos postos de vigilância previstos no plano.
    * Em até 120 dias: as rés deverão entregar um plano atualizado com todas as medidas pendentes, incluindo ações específicas nas aldeias Rio Candeias e Joari, com cronograma detalhado e definição de responsabilidades.
    * Em até 24 meses: conclusão das obrigações, com apresentação de relatórios trimestrais de acompanhamento.


No eixo ambiental, a empresa terá seis meses para financiar e concluir novos estudos técnicos para avaliar se os impactos provocados pela alteração da cota do reservatório foram subestimados. Caso sejam identificados novos danos, deverão ser definidas medidas compensatórias adicionais.

O MPF recorreu da decisão para pedir indenização por danos morais coletivos e para que a multa por descumprimento de decisões anteriores passe a valer desde data anterior à fixada pelo juiz.

Em nota, a Santo Antônio Energia afirmou que vem cumprindo o PBA-CI conforme critérios definidos pela Funai e que as ações são desenvolvidas em conjunto com as comunidades indígenas, com acompanhamento e validação do órgão indigenista.

A Funai foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou até o fechamento desta matéria.

Fonte: G1/RO

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