Porto Velho, RO - O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) em meio a questionamentos sobre a condução do caso. Nas últimas semanas, o magistrado virou alvo de críticas por suposto envolvimento com os investigados.
Entre os pontos que ligam o ministro ao Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, estão mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro, viagem em jatinho com advogado do banco e sociedade em um resort que tinha ligações com o ponto.
Tais conexões aumentaram a desconfiança sobre sua condução do caso no STF. Embora o magistrado negue existir motivos que poderiam atrapalhar a condução do caso, o Metrópoles elencou e detalhou as conexões que ligam Toffoli à instituição financeira.
Relembre a polêmica entre Toffoli e o Banco Master
* O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master após revelações que indicam um suposto envolvimento pessoal do magistrado com os investigados do caso.
* Entre algumas conexões, um resort do qual Toffoli era sócio junto a outros familiares tinha investimentos de um fundo gerido pelo Banco Master. O magistrado também fez uma viagem em um jatinho particular para o Peru com um dos advogados da instituição financeira.
* Toffoli assumiu a relatoria do caso em novembro e, na última semana, deixou a condução do caso após reunião com os demais ministros do STF.
Relatoria e sigilo
Toffoli assumiu a relatoria do Banco Master no STF em 28 de novembro, após sorteio interno. Relatoria é a responsabilidade de um ministro por um processo: ele analisa o caso, prepara o voto e o apresenta para julgamento na Corte.
A condução do magistrado sobre o caso virou alvo de questionamento depois que Toffoli impôs sigilo total à investigação e determinou que as decisões de todos os processos relacionados ao banco no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) ou instâncias inferiores fossem remetidas à Suprema Corte, o que não seria usual.
Toffoli assumiu a relatoria do Banco Master no STF em 28 de novembro, após sorteio interno. Relatoria é a responsabilidade de um ministro por um processo: ele analisa o caso, prepara o voto e o apresenta para julgamento na Corte.
A condução do magistrado sobre o caso virou alvo de questionamento depois que Toffoli impôs sigilo total à investigação e determinou que as decisões de todos os processos relacionados ao banco no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) ou instâncias inferiores fossem remetidas à Suprema Corte, o que não seria usual.
Viagem em jatinho
As decisões de Toffoli em relação ao caso também foram questionadas depois que veio a público uma viagem que o ministro fez para a capital peruana dias antes de impor sigilo à investigação. O magistrado viajou para Lima, no Peru, para assistir a final da Libertadores.
No avião, um jatinho particular, ele estava acompanhado do advogado Augusto Arruda Botelho — defensor de Luiz Antônio Bull, ex-diretor do Banco Master.
Acareação
Em dezembro de 2025, cerca de um mês depois de ser sorteado como relator do caso Master, Toffoli determinou uma acareação entre a instituição financeira, o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Central (BC). A medida, alegou o magistrado, tinha intenção de obter informações sobre a tentativa frustrada do BRB de comprar o Master, operação que foi barrada pelo Banco Central.
A decisão sobre a acareação também jogou questionamentos sobre a relatoria de Toffoli. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, chegou a pedir que a acareação fosse suspensa, alegando que só deveria acontecer depois de os investigados deporem formalmente no processo.
O magistrado também foi criticado por juristas que viam a acareação como uma possível forma de intimidação do Banco Central. Como regulador do mercado financeiro brasileiro, o Bacen supervisionava o funcionamento do banco. Em novembro de 2025, a autoridade monetária determinou a liquidação extrajudicial do banco.
Apreensões com o STF
Outra decisão decretada pelo ministro determinou que todos os materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero fossem “lacrados” e “acautelados” na sede do STF, em Brasília.
A decisão também foi considerada fora dos procedimentos de praxe. Como a operação foi realizada pela Polícia Federal, quem faz, usualmente, a perícia em celulares, bens, computadores é a própria corporação.
As decisões de Toffoli em relação ao caso também foram questionadas depois que veio a público uma viagem que o ministro fez para a capital peruana dias antes de impor sigilo à investigação. O magistrado viajou para Lima, no Peru, para assistir a final da Libertadores.
No avião, um jatinho particular, ele estava acompanhado do advogado Augusto Arruda Botelho — defensor de Luiz Antônio Bull, ex-diretor do Banco Master.
Acareação
Em dezembro de 2025, cerca de um mês depois de ser sorteado como relator do caso Master, Toffoli determinou uma acareação entre a instituição financeira, o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Central (BC). A medida, alegou o magistrado, tinha intenção de obter informações sobre a tentativa frustrada do BRB de comprar o Master, operação que foi barrada pelo Banco Central.
A decisão sobre a acareação também jogou questionamentos sobre a relatoria de Toffoli. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, chegou a pedir que a acareação fosse suspensa, alegando que só deveria acontecer depois de os investigados deporem formalmente no processo.
O magistrado também foi criticado por juristas que viam a acareação como uma possível forma de intimidação do Banco Central. Como regulador do mercado financeiro brasileiro, o Bacen supervisionava o funcionamento do banco. Em novembro de 2025, a autoridade monetária determinou a liquidação extrajudicial do banco.
Apreensões com o STF
Outra decisão decretada pelo ministro determinou que todos os materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero fossem “lacrados” e “acautelados” na sede do STF, em Brasília.
A decisão também foi considerada fora dos procedimentos de praxe. Como a operação foi realizada pela Polícia Federal, quem faz, usualmente, a perícia em celulares, bens, computadores é a própria corporação.
Tayayá e fundos do Master
Em meados de janeiro, a família Toffoli surgiu em uma teia de negócios envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. Revelações feitas pela imprensa mostraram que o resort Tayayá, empresa gerida por familiares do ministro, tinha investimentos de empresas de Vorcaro.
As principais conexões vinham da gestora de investimentos Reag e do fundo de investimentos Arllen. Ambas são braços do Banco Master e atuavam em diferentes frentes de negócios de Daniel Vorcaro.
Em meados de janeiro, a família Toffoli surgiu em uma teia de negócios envolvendo o banco de Daniel Vorcaro. Revelações feitas pela imprensa mostraram que o resort Tayayá, empresa gerida por familiares do ministro, tinha investimentos de empresas de Vorcaro.
As principais conexões vinham da gestora de investimentos Reag e do fundo de investimentos Arllen. Ambas são braços do Banco Master e atuavam em diferentes frentes de negócios de Daniel Vorcaro.
Elas também são investigadas.
Enquanto familiares do ministro eram proprietários do resort Tayayá, a Arllen, por meio da Reag, comprou ações do empreendimento, tornando-se sócia do Tayayá. O fundo que entrou no negócio tinha apenas Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como cotista.
A Reag aparece ainda como a responsável por fazer a operação de venda do Tayayá para um advogado que atuava para os irmãos Batista. A informação foi revelada no Metrópoles pela coluna de Andreza Matais.
A transação também chamou atenção, pois, dois anos antes, Toffoli suspendeu o pagamento de uma multa de R$ 10,3 bilhões pelo grupo J&F, dos irmãos Batista.
Enquanto familiares do ministro eram proprietários do resort Tayayá, a Arllen, por meio da Reag, comprou ações do empreendimento, tornando-se sócia do Tayayá. O fundo que entrou no negócio tinha apenas Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como cotista.
A Reag aparece ainda como a responsável por fazer a operação de venda do Tayayá para um advogado que atuava para os irmãos Batista. A informação foi revelada no Metrópoles pela coluna de Andreza Matais.
A transação também chamou atenção, pois, dois anos antes, Toffoli suspendeu o pagamento de uma multa de R$ 10,3 bilhões pelo grupo J&F, dos irmãos Batista.
Resort Tayayá pertencia, no papel, à família do ministro do STFSócio do Tayayá
Foi somente na última semana, após a Polícia Federal (PF) encaminhar um relatório ao STF com informações colhidas no celular de Daniel Vorcaro, que Toffoli admitiu sua ligação com o resort de luxo Tayayá, localizado no Paraná.
Seu nome não aparecia no quadro societário da empresa que foi acionista do empreendimento, embora o ministro fosse um frequentador assíduo do resort.
Há cerca de um mês, o Metrópoles, por meio da coluna Andreza Matais, publicou imagens de Toffoli recebendo figuras políticas no resort. Em um deles, o magistrado recepcionou Luiz Pastore, dono do grupo metalúrgico Ibrame, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.
Foi somente na última semana, após a Polícia Federal (PF) encaminhar um relatório ao STF com informações colhidas no celular de Daniel Vorcaro, que Toffoli admitiu sua ligação com o resort de luxo Tayayá, localizado no Paraná.
Seu nome não aparecia no quadro societário da empresa que foi acionista do empreendimento, embora o ministro fosse um frequentador assíduo do resort.
Há cerca de um mês, o Metrópoles, por meio da coluna Andreza Matais, publicou imagens de Toffoli recebendo figuras políticas no resort. Em um deles, o magistrado recepcionou Luiz Pastore, dono do grupo metalúrgico Ibrame, e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.
Dias Toffoli com André Esteves e Luiz Pastore no resort TayayáA reportagem revelou ainda que funcionários do empreendimento tratavam o próprio ministro Dias Toffoli como dono do resort.
Em nota divulgada na última quinta-feira (12/02), o magistrado revelou ser sócio anônimo da Madridt, empresa controlada por familiares de Toffoli e que detinha o resort.
Mensagens de Vorcaro
Por fim, a mais recente revelação foi feita pela Polícia Federal (PF), que encontrou menções a Dias Toffoli em mensagens localizadas no celular de Daniel Vorcaro. O conteúdo das mensagens gerou um relatório que foi entregue ao presidente do STF, o ministro Edson Fachin.
As conversas no celular de Vorcaro mostram diálogos privados com Zettel, incluindo menções a pagamentos e discussões sobre valores que seriam repassados à empresa Maridt.
Após o relatório, o ministro do STF se manifestou por meio de nota e negou ter repassado valores a Fabiano Zettel ou ter qualquer tipo de relação de amizade com Vorcaro.
Por fim, a mais recente revelação foi feita pela Polícia Federal (PF), que encontrou menções a Dias Toffoli em mensagens localizadas no celular de Daniel Vorcaro. O conteúdo das mensagens gerou um relatório que foi entregue ao presidente do STF, o ministro Edson Fachin.
As conversas no celular de Vorcaro mostram diálogos privados com Zettel, incluindo menções a pagamentos e discussões sobre valores que seriam repassados à empresa Maridt.
Após o relatório, o ministro do STF se manifestou por meio de nota e negou ter repassado valores a Fabiano Zettel ou ter qualquer tipo de relação de amizade com Vorcaro.
“Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, diz o documento.
Em meio aos questionamentos sobre sua atuação e o endurecimento de críticas pela oposição ao STF, Toffoli deixou a relatoria do caso na última semana. A decisão foi um acordo do magistrado com outros ministros da Corte, que também publicaram nota de apoio ao colega.
Fonte: Metrópoles
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