A “conversa com Deus” e o Senado
O governador Marcos Rocha tem dado sinais cada vez mais claros de que sua anunciada desistência de disputar uma vaga no Senado pode estar com os dias contados. Há poucas semanas, em entrevista na capital, afirmou que permaneceria no cargo e só mudaria de ideia “se Deus falasse com ele”.
Pelo visto, Deus falou. Em recente viagem a São Paulo, Rocha visitou Gilberto Kassab — o “deus da indecisão” na política brasileira — e voltou filiado ao PSD, assumindo ainda o comando do partido em Rondônia.
Não se trata de movimento casual. O PSD, partido conhecido por seu pragmatismo e fisiologismo, integra tanto a base do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo quanto a coalizão do governo Lula em Brasília. Essa mudança de sigla sugere, com clareza, o resgate do projeto ao Senado.
Tudo indica que, nos próximos dias, Marcos Rocha anunciará que sua “conversa com Deus” o levou a Kassab e o convenceu a deixar o governo para Sérgio Gonçalves, permitindo que sua esposa, Luana Rocha, e seu irmão, Sandro Rocha, disputem eleições em 2026 — além de liberar seu próprio caminho para o Senado. Nada surpreendente: esse roteiro é clássico na política brasileira.
O ‘callapo’ governamental
A principal justificativa de Rocha para permanecer no cargo sempre foi o conflito com seu vice, Sérgio Gonçalves. O governador afirma ter sido traído durante viagem oficial a Israel — acusação nunca comprovada, mas usada como combustível da crise política interna.
No entanto, Kassab pode tê-lo aconselhado a deixar o ressentimento de lado e priorizar a estratégia eleitoral. A insistência em ficar no cargo prejudicaria principalmente Sandro Rocha, cotado para a Assembleia Legislativa, e Luana Rocha, potencial candidata à Câmara Federal.
Se fosse bom articulador, o governador teria resolvido a crise nos bastidores, evitando o desgaste público. Do contrário, todos descem juntos num “callapo” — metáfora boliviana para uma canoa precária sem rumo no rio Madeira.
Até 4 de abril, prazo legal de desincompatibilização, saberemos o desfecho. A renúncia indicará que houve acordo político fechado longe dos holofotes e das redes sociais.
Sílvia Cristina e a homofobia
A deputada Sílvia Cristina tem sido alvo de ataques homofóbicos desde que publicou uma foto com sua companheira. A violência virtual, vinda sobretudo de setores que se dizem “conservadores”, é inaceitável.
Críticas à atuação política são legítimas; ataques à orientação sexual não são. São crimes e violam direitos fundamentais.
Como Sílvia é cotada para disputar o Senado em 2026, é provável que esses ataques se intensifiquem. Sua campanha já nasce dupla: enfrentar adversários nas urnas e o preconceito nas redes.
A coluna registra total solidariedade à deputada e sua família.
Flori Cordeiro e o apoio de Leo Moraes
O prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, ganhou ânimo após declaração pública de Leo Moraes, prefeito de Porto Velho, de que ele seria seu candidato preferencial ao governo estadual.
Leo Moraes é hoje o principal cabo eleitoral de Rondônia, com forte aprovação na capital — o que torna seu apoio altamente disputado.
Porém, tudo pode mudar até as convenções partidárias. Se Flori decidir concorrer, terá de renunciar até 4 de abril. O problema é que ele próprio não demonstra total segurança de que terá o apoio de Leo Moraes até o fim.
Caso Leo recue depois da renúncia, o clima de traição será inevitável. A aposta de Cordeiro é simples: contar com a palavra dada.
Concurso público em Cacoal: convocação e alívio administrativo
A Prefeitura de Cacoal convocou mais de 350 aprovados no concurso público de 2024, após decisão judicial favorável que manteve seus efeitos.
As convocações estavam suspensas por ação do Ministério Público, mas a nova sentença liberou as nomeações — medida essencial para suprir a carência de servidores em setores críticos como saúde e educação.
A chegada dos concursados evita colapso no início do ano letivo de 2026 e reduz riscos para a abertura do Hospital Municipal no primeiro semestre. Também resolve situação social de candidatos que haviam deixado empregos esperando a posse.
Assembleia perdoa dívida bilionária da Energisa
Os deputados estaduais aprovaram projeto que praticamente perdoa dívida bilionária de ICMS da Energisa com o Estado — passivo herdado da antiga CERON e assumido pela empresa no processo de privatização.
A decisão é contraditória: a mesma Assembleia que aumentou o ICMS da população agora alivia a conta de uma gigante do setor elétrico. Apenas o deputado Jean Mendonça se posicionou publicamente contra, chamando a medida de “covardia com o povo de Rondônia”.
Enquanto cidadãos comuns têm a luz cortada por atraso, a Energisa recebe um presente em ano eleitoral. Milhares de outras empresas inadimplentes jamais tiveram o mesmo tratamento.
Suspensão do pedágio na BR-364
A Justiça Federal suspendeu liminarmente a cobrança de pedágio na BR-364 após ações do União Brasil, Aprosoja e Abiove, sob argumento de que os critérios técnicos do contrato não estavam sendo cumpridos pela concessionária Nova BR-364.
A decisão ainda não é definitiva e pode ser revertida. Mesmo assim, políticos correram às redes para reivindicar autoria da vitória — típico comportamento em ano eleitoral.
O fato é que, por anos, muitos desses mesmos atores ficaram em silêncio enquanto o pedágio avançava. Agora, todos querem o crédito.
Hospital Universitário da UNIR avança
A reitora Marília Pimentel confirmou que o projeto do Hospital Universitário de Porto Velho segue dentro do cronograma e deve começar a funcionar ainda em 2026.
O imóvel já foi adquirido pela Prefeitura como parte da parceria com o governo federal, e os trâmites administrativos estão sendo cumpridos conforme exigências do MEC.
Além de ampliar o atendimento à população, o hospital fortalecerá a formação em saúde — especialmente após o curso de Medicina da UNIR ter sido o único no estado com nota satisfatória no Enamed.
Cursos profissionalizantes do SENAI em Cacoal
A partir de 9 de março, o SENAI/RO oferecerá diversos cursos profissionalizantes em Cacoal para jovens de 14 a 23 anos e 11 meses.
Há vagas para áreas como mecânica, eletricidade, construção civil, informática e administração. Empresas terão prioridade na indicação de alunos, mas haverá espaço para outros interessados.
Em um mercado competitivo, qualificação segue sendo o melhor caminho para empregabilidade.
Calçadas de Cacoal: o problema de sempre
A precariedade das calçadas em Cacoal continua sendo um problema antigo e negligenciado. Embora exista legislação que exija padronização e manutenção por parte dos proprietários, a fiscalização raramente acontece.
O exemplo da Avenida Dois de Junho ilustra o descaso: pedestres disputam espaço com carros e irregularidades perigosas.
Cabe à Prefeitura cobrar cumprimento das normas, exigir manutenção das calçadas e limpeza de terrenos — medidas simples que poderiam melhorar significativamente a mobilidade e a estética urbana.