Trump declara apoio a governo tecnocrático palestino para transição em Gaza

Trump declara apoio a governo tecnocrático palestino para transição em Gaza

Plano de cessar-fogo entrou em vigor em outubro, mas continua frágil

© REUTERS/

Porto Velho, RO - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou apoiar a formação de um governo tecnocrático palestino recém-nomeado para administrar a Faixa de Gaza durante um período de transição, no contexto da segunda fase do cessar-fogo iniciado em outubro, que segue considerado frágil por observadores internacionais.

Em publicação nas redes sociais, Trump declarou que apoia o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um órgão tecnocrático palestino que, segundo ele, contará com o respaldo de um Conselho de Paz internacional, responsável por supervisionar a governança do território durante a transição.

“Estou apoiando um governo tecnocrático palestino recém-nomeado para governar Gaza durante sua transição”, escreveu o presidente.

De acordo com Trump, Israel e o Hamas teriam aprovado o plano ainda em outubro, quando foi estabelecida a trégua. Em outra postagem, o presidente norte-americano afirmou que o chamado Conselho da Paz já foi formado e que ele próprio presidiria o órgão, com os demais membros a serem anunciados em breve.

Cessar-fogo segue sob tensão

Apesar do acordo, Israel e o Hamas se acusam mutuamente de violações do cessar-fogo. Desde o início da trégua, mais de 440 palestinos, incluindo mais de 100 crianças, e três soldados israelenses morreram, segundo dados citados por mediadores internacionais.

O acordo também enfrenta dificuldades adicionais, como:

    * o fracasso na recuperação dos restos mortais de um último refém israelense;
    * atrasos na reabertura da passagem de fronteira entre Gaza e o Egito;
    * e a recusa do Hamas em se desarmar, ponto central das negociações.

Desafios da segunda fase

Para avançar à segunda fase do cessar-fogo, Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia, que atuam como mediadores, terão de lidar com temas sensíveis, como:

    * o desarmamento do Hamas;
    * a retirada das tropas israelenses, condicionada a esse desarmamento;
    * e o possível envio de uma força internacional de manutenção da paz.


Segundo comunicado conjunto dos mediadores, o órgão tecnocrático palestino será composto por 15 membros e deverá ser liderado por Ali Shaath, ex-vice-ministro da Autoridade Palestina apoiada pelo Ocidente, com atuação anterior no desenvolvimento de zonas industriais.

Trump afirmou que os integrantes do comitê estão “comprometidos com um futuro de paz” e reiterou que Egito, Catar e Turquia ajudarão a garantir um “acordo abrangente de desmilitarização”.

Críticas e controvérsias

Especialistas em relações internacionais têm apontado que a estrutura proposta, especialmente com a liderança direta do presidente dos EUA no conselho supervisor, pode ser interpretada como uma forma de tutela externa, levantando críticas sobre possível caráter neocolonial da iniciativa.

Fonte: Agência Brasil

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