Trump anuncia retirada dos EUA de dezenas de entidades internacionais ligadas à ONU e a acordos climáticos

Trump anuncia retirada dos EUA de dezenas de entidades internacionais ligadas à ONU e a acordos climáticos

Decisão inclui saída de tratado climático fundamental e de órgãos voltados à igualdade de gênero; Casa Branca alega defesa da soberania e dos interesses nacionais

Porto Velho, RO - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o país irá se retirar de dezenas de entidades internacionais, incluindo organismos vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU), tratados climáticos e agências voltadas à promoção da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres. A decisão foi formalizada por meio de um memorando direcionado a integrantes do alto escalão do governo norte-americano.

Segundo o documento, a retirada ocorre porque essas organizações “operam de forma contrária aos interesses nacionais dos Estados Unidos”. Ao todo, a lista inclui 31 entidades ligadas à ONU e outros 35 organismos internacionais.

Entre as saídas mais significativas está a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC), considerada o tratado climático fundamental que serviu de base para o Acordo de Paris, firmado em 2015. Com a decisão, os Estados Unidos se tornam o primeiro país a se afastar formalmente da UNFCCC desde sua criação, há mais de três décadas.

Em 2025, pela primeira vez em 30 anos, os EUA não participaram da conferência climática anual da ONU, realizada no Brasil, sinalizando o distanciamento progressivo do país das agendas multilaterais sobre meio ambiente.

Para Manish Bapna, presidente-executivo do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, a saída representa uma perda estratégica.

“Todas as outras nações são membros porque reconhecem que, além do imperativo moral de lidar com a mudança climática, participar dessas negociações significa influenciar políticas e oportunidades econômicas de grande escala”, afirmou.

Saída de agências voltadas a direitos humanos e igualdade de gênero

Além do tratado climático, o governo norte-americano também anunciou a retirada da ONU Mulheres, agência responsável pela promoção da igualdade de gênero, e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que atua nas áreas de planejamento familiar, saúde materna e infantil em mais de 150 países. O financiamento dos EUA ao UNFPA já havia sido suspenso no ano anterior.

O memorando estabelece que, no caso das entidades da ONU, a retirada implica a interrupção da participação e do financiamento “na medida permitida por lei”. O governo Trump já vinha reduzindo drasticamente as contribuições voluntárias à maioria das agências das Nações Unidas.

Procurado pela Reuters, um porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres, não comentou a decisão até a publicação da reportagem.

Críticas ao multilateralismo

A medida reforça a postura histórica de Donald Trump de desconfiança em relação ao multilateralismo. Desde seu primeiro mandato, o presidente questiona a eficácia, os custos e a responsabilização de organismos internacionais, alegando que muitos deles não atendem aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Desde o início de seu segundo mandato, há cerca de um ano, Trump já havia determinado a saída ou suspensão de financiamento de diversos organismos, como o Conselho de Direitos Humanos da ONU, a agência de assistência aos refugiados palestinos (UNRWA) e a Unesco, além de anunciar planos para deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Acordo de Paris.

Outras entidades listadas para retirada incluem a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, o Fórum Internacional de Energia, o Registro de Armas Convencionais da ONU e a Comissão de Construção da Paz das Nações Unidas.

Em nota oficial, a Casa Branca afirmou que os organismos atingidos promovem “políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos que entram em conflito com a soberania e a força econômica dos Estados Unidos”.

Segundo o governo, a decisão faz parte de uma revisão ampla de todas as organizações intergovernamentais, convenções e tratados internacionais.

“As retiradas visam encerrar o financiamento e o envolvimento do contribuinte americano em entidades que promovem agendas globalistas em detrimento das prioridades nacionais ou que tratam questões relevantes de forma ineficiente”, conclui o comunicado.


Fonte: Agência Brasil

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