Porto Velho, RO - O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) condenou integrantes de uma organização criminosa especializada no tráfico interestadual de drogas, que utilizava “mocós” — compartimentos secretos ocultos em caminhões e carretas — para o transporte de entorpecentes. O grupo ganhou notoriedade após uma operação da Polícia Federal (PF) realizada nos estados de Rondônia e Goiás, que resultou na prisão de 12 pessoas e na apreensão de veículos de luxo e motos aquáticas.
A investigação teve início com a Operação Fim de Carreira, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a atuação do esquema criminoso em Rondônia, Mato Grosso e Goiás. O processo judicial envolveu 24 réus e foi fundamentado em inquérito policial conduzido pela PF. As identidades dos acusados não foram divulgadas.
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Operação fim de carreira
De acordo com o TJ-RO, durante o julgamento foram analisadas mais de 8 mil páginas de provas, incluindo relatórios policiais, interceptações telefônicas, dados telemáticos, quebras de sigilo bancário e fiscal, além de provas produzidas ao longo da instrução criminal.
Denúncia e resultado do julgamento
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) denunciou os acusados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais e cinco episódios de tráfico de drogas. O resultado do julgamento foi o seguinte:
Organização criminosa
* Seis réus condenados a 3 anos de prisão e 30 dias-multa;* Cinco réus absolvidos desse crime.
Lavagem de capitais
* Uma ré absolvida.
Tráfico de drogas
* As penas variaram entre 8 anos e 2 meses e 9 anos e 7 meses de prisão, já com aumento pela prática interestadual do crime e, em um dos casos, pelo reconhecimento de continuidade delitiva;
* Também foram aplicadas multas proporcionais.
Relembre a operação
A Operação Fim de Carreira foi deflagrada pela Polícia Federal com o objetivo de desarticular um grupo especializado no transporte de drogas escondidas em compartimentos ocultos (“mocós”) instalados em veículos de carga. A ação ocorreu em quatro municípios de Rondônia — Porto Velho, Guajará-Mirim, Ariquemes e Jaru — e em Goiânia (GO).
Ao todo, foram cumpridos 62 mandados judiciais. Além das prisões, a PF apreendeu veículos de luxo, motos aquáticas, joias, drogas, armas e cerca de R$ 10 mil em dinheiro.
Segundo as investigações, o esquema consistia em ocultar a droga nos “mocós” e transportá-la de Rondônia para outros estados, utilizando rodovias federais e estaduais como principais rotas do tráfico.
A apuração durou mais de um ano e identificou pelo menos 10 remessas de cocaína, que totalizaram mais de duas toneladas da droga. Parte das cargas foi interceptada, e motoristas foram presos durante as ações policiais.
A PF também constatou que o grupo utilizava contas bancárias de empresas e pessoas físicas para movimentar o dinheiro obtido com o tráfico, que era empregado na aquisição de bens de alto valor. Duas empresas ligadas aos investigados tiveram as contas bancárias bloqueadas.
Durante a operação, três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, em Porto Velho e Guajará-Mirim, e uma por tráfico de drogas. Outras nove prisões preventivas foram cumpridas, além do bloqueio de contas bancárias de seis investigados.
Fonte: G1/RO