Sindicatos do Norte se mobilizam contra silêncio do MGI em Brasília

Sindicatos do Norte se mobilizam contra silêncio do MGI em Brasília

Suspensão da transposição gera incerteza para servidores federais de RO, RR e AP

Porto Velho, RO - O fechamento de 2025 foi marcado por incerteza e apreensão para milhares de servidores federais de Rondônia, Roraima e Amapá. O tema foi amplamente debatido na última sexta-feira (09), durante o programa “Café Sindical”, apresentado pelo professor Mário Jorge e promovido pelo Sindsef-RO, diante da decisão do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) de suspender as portarias e atas de enquadramento da transposição.

A medida, adotada na véspera do Natal, causou forte indignação entre servidores e lideranças sindicais por ter sido implementada sem aviso prévio ou nota oficial que explicasse os motivos da interrupção de um processo aguardado há anos.

Impacto direto e insegurança jurídica

A suspensão afeta diretamente mais de duas mil pessoas apenas em Rondônia, que aguardam a correção do enquadramento do Nível Auxiliar (NA) para o Nível Intermediário (NI) — progressão considerada o reconhecimento de direitos históricos dos servidores oriundos dos ex-territórios.

Durante o debate, o presidente do Sindsef-RO, Almir José, informou que já existem movimentações políticas em curso, incluindo um pedido oficial de informações protocolado pela deputada federal Silvia Cristina. Nos bastidores, circula a justificativa de que a paralisação ocorreu por supostas “inconsistências técnicas”, acompanhada de uma promessa informal de retomada das publicações na primeira semana de fevereiro de 2026.

Alerta para o calendário eleitoral

A preocupação das lideranças, no entanto, vai além dos entraves técnicos. O Secretário-Geral do Sindsef-RO, professor Mário Jorge, e os dirigentes presentes no programa alertaram para o risco imposto pelo calendário eleitoral de 2026.

A legislação eleitoral brasileira impõe restrições severas a atos administrativos que concedam benefícios a servidores públicos nos meses que antecedem o pleito. Diante disso, os sindicatos defendem que as portarias sejam publicadas impreterivelmente ainda no primeiro semestre, sob pena de o processo ser novamente paralisado por tempo indeterminado.

A condução do tema pela comissão do MGI, segundo os representantes sindicais, tem sido marcada por falta de transparência, o que é interpretado como desrespeito à categoria.

Mobilização conjunta dos estados

Para enfrentar o impasse, Rondônia, Roraima e Amapá decidiram unificar esforços em uma estratégia conjunta. As entidades sindicais já articulam apoio junto à bancada federal, envolvendo nomes como o senador Randolfe Rodrigues (AP), o ex-senador Acir Gurgacz e o senador Confúcio Moura (RO).

Além disso, está prevista a formação de uma comitiva a Brasília no início de fevereiro, com o objetivo de buscar uma audiência direta com o MGI. A pauta inclui não apenas a retomada imediata das portarias, mas também a defesa da implantação de um sistema de enquadramento automático.

A proposta visa acabar com a dependência de publicações individuais e estabelecer um procedimento sistêmico, garantindo celeridade, segurança jurídica e isonomia no reconhecimento dos direitos dos servidores, antes que as restrições eleitorais inviabilizem novas concessões.


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