Segurança pública ganha centralidade no debate eleitoral a menos de um ano das eleições de 2026

Segurança pública ganha centralidade no debate eleitoral a menos de um ano das eleições de 2026

Direita e centro devem usar problemas de segurança pública para tentar oprimir a esquerda e repetir 2018 - Vinícius Schmidt/Metrópoles

Porto Velho, RO - A menos de um ano das eleições de 2026, quando os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, senadores e deputados federais, a segurança pública passou a ocupar posição central no debate político, especialmente entre candidatos de direita e centro-direita.

A pauta ganhou força após acontecimentos recentes de grande repercussão, como a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 100 mortos e já é considerada a mais letal da história do estado. Além disso, a expansão de facções criminosas para áreas cada vez mais próximas do poder público intensificou a cobrança por respostas mais duras à criminalidade.

“Calcanhar de Aquiles”

Historicamente, a segurança pública sempre foi um tema sensível para governos de esquerda no Brasil. No atual cenário político, o assunto é apontado por setores da direita como o “calcanhar de Aquiles” da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A expectativa é que, ao longo da campanha de 2026, candidatos de direita e centro-direita retomem o tema com força nos debates eleitorais, utilizando-o como estratégia de enfrentamento político.

Uma pesquisa Genial/Quest, divulgada no fim de 2025, reforça essa tendência. O levantamento revelou que a violência se tornou a principal preocupação do eleitorado, mencionada por 38% dos entrevistados, superando a economia, citada por 15%.

Segundo a pesquisa, o crescimento da preocupação com a segurança pública está associado tanto à operação policial no Rio de Janeiro quanto a declarações recentes do presidente Lula sobre o tema.

“Toda vez que a gente fala de combater as drogas, possivelmente seria mais fácil a gente combater os nossos viciados internamente, os usuários. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”, afirmou Lula durante um evento no Sudeste Asiático, no ano passado.

A declaração teve repercussão negativa e passou a ser explorada por adversários políticos como argumento de fragilidade do governo na condução da política de segurança pública.

Estratégia semelhante a 2018

Para o cientista político André Rosa, professor do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), a direita deve apostar novamente na pauta da segurança como forma de tentar reproduzir a estratégia eleitoral de 2018, quando o tema foi amplamente explorado pelo então candidato Jair Bolsonaro (PL), que venceu o pleito contra Fernando Haddad (PT).

“O centro-direita tenta reaver o poder com a mesma estratégia de 2018, que é exacerbar o tema da segurança pública. A ideia é alinhar eleitores que votam a partir dessa preocupação ao discurso da centro-direita. Há uma tentativa clara de copiar o que foi feito naquele ano, agora em um contexto de operações policiais e da ocupação de comunidades no Rio de Janeiro”, avalia.

Apesar disso, o especialista pondera que, embora a segurança pública ganhe grande espaço no debate, a economia tende a continuar como principal fator de decisão do voto.

“Vão discutir muito segurança pública, mas, no fim das contas, o que pesa é o voto econômico. Questões como inflação, geração de emprego, renda e o poder de compra do salário são determinantes. Não é apenas macroeconomia, mas o impacto direto no dia a dia do eleitor”, explica.

Economia ainda é decisiva

Segundo André Rosa, a segurança pública se encaixa bem no discurso de candidatos da direita, o que deve manter o tema em evidência durante toda a campanha. Nomes como Jair Bolsonaro e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, são citados como lideranças que exploram fortemente essa agenda.

“A tendência é que o tema circule ainda mais durante as campanhas, especialmente entre candidatos que já se posicionam como defensores de políticas mais duras na área. Ainda assim, o principal indutor de voto continua sendo econômico”, conclui o cientista político.

Fonte: Metrópoles

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