Porto Velho, RO - O fortalecimento do poder aéreo militar do Reino Unido tem como pilar central o programa de aquisição dos caças furtivos F-35, considerado estratégico para a defesa nacional e para o papel britânico na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). As entregas das aeronaves estão previstas até 2033 e impactam diretamente as operações da Royal Air Force (RAF) e da Royal Navy, além da política de dissuasão nuclear do país.
De acordo com informações divulgadas em consultas parlamentares, o Ministério da Defesa britânico espera receber o 75º caça F-35 até o final de 2033. Atualmente, a frota conta com pouco mais de 40 aeronaves em operação em 2026, número que representa uma fase intermediária do plano de longo prazo.
O objetivo inicial de atingir 48 unidades em curto prazo funciona como um marco provisório. A plena capacidade operacional dependerá da integração total das aeronaves aos sistemas de comando, logística, treinamento e interoperabilidade com aliados da OTAN.
Atualmente, o Reino Unido opera majoritariamente a variante F-35B, de decolagem curta e pouso vertical, fundamental para as operações embarcadas nos porta-aviões HMS Queen Elizabeth e HMS Prince of Wales. Esses navios ampliam a capacidade britânica de projeção de poder aéreo em missões de ataque, defesa aérea e reconhecimento em ambientes de alta complexidade operacional.
Além disso, o governo britânico decidiu incorporar um número limitado de aeronaves F-35A, versão projetada para operar em pistas convencionais. Essa variante é considerada mais adequada ao papel de vetor nuclear aéreo, atuando como complemento à dissuasão estratégica atualmente baseada em submarinos nucleares.
Na Royal Air Force, o F-35 desempenha um papel central na integração de dados e na condução de operações conjuntas, funcionando como um nó avançado de informação no campo de batalha. Em exercícios internacionais, os caças britânicos operam de forma integrada com forças dos Estados Unidos e de países europeus que também utilizam o modelo.
Entre os principais ganhos operacionais do programa estão a ampliação da projeção marítima a partir de porta-aviões, a capacidade multirole — que inclui ataque ao solo, superioridade aérea e reconhecimento eletrônico — e o fortalecimento da integração doutrinária e logística entre a RAF e a Royal Navy.
O debate sobre a dissuasão nuclear aérea ganhou novo impulso com a decisão de empregar o F-35A em missões compatíveis com o uso das bombas nucleares B61-12, dentro do conceito de dissuasão compartilhada da OTAN. Bases como RAF Marham e RAF Lakenheath são apontadas como candidatas naturais para apoiar essa função, o que exigirá investimentos em infraestrutura, segurança e sistemas de comando.
Com a meta de alcançar 75 aeronaves até 2033, o Reino Unido projeta consolidar uma força aérea de quinta geração capaz de atuar tanto em missões convencionais quanto estratégicas, reforçando seu papel militar no cenário internacional.
Fonte: O Antagonista