Porto Velho, RO - A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou o início de uma reestruturação estratégica da segurança nacional, estabelecendo um prazo de 100 dias para a elaboração e apresentação do chamado “Plano de Defesa da Nação”.
O anúncio foi feito durante um evento oficial em que Rodríguez foi reconhecida como comandante-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), cerca de três semanas após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados para território norte-americano.
Em discurso, a presidente interina afirmou que a Venezuela enfrenta uma tentativa de submissão externa e convocou as instituições do país a atuarem de forma integrada. “Tiveram de procurar uma potência nuclear para tentar subjugar a soberania do povo venezuelano. O extremismo não conseguiu, não conseguiu e não conseguirá”, declarou. Segundo ela, o novo sistema defensivo será construído com base na união civil, militar e policial, com diretrizes claras ao final do prazo estipulado.
Rodríguez citou o legado de Simón Bolívar e pediu que o espírito de resistência e independência inspire a população venezuelana diante do novo cenário político e militar. “Devemos aprender com os infortúnios e abrir novos caminhos para a defesa da pátria”, afirmou.
Defesa cibernética
Como parte da reestruturação, Delcy Rodríguez anunciou a criação de um Gabinete Nacional de Defesa e Segurança Cibernética, que ficará vinculado ao Conselho de Vice-Presidentes. A coordenação do novo órgão ficará a cargo da ministra da Ciência e Tecnologia, Gabriela Jiménez, cientista e professora universitária.
A presidente interina convocou especialistas em tecnologia e membros do Conselho Científico Militar para atuarem de forma conjunta.
“Peço aos cientistas e especialistas da Venezuela que unam suas capacidades para defender o nosso espaço cibernético”, disse.
Mensagem política e apelo por diálogo
Rodríguez também enviou um recado direto a grupos opositores e a aliados internacionais. Segundo ela, o governo está disposto ao diálogo político por meio do programa de coexistência democrática e paz, desde que haja compromisso com a soberania nacional.
“Os que realmente amam a Venezuela são bem-vindos ao diálogo. Mas aqueles que pretendem perpetuar danos e agressões devem permanecer fora do país. Aqui haverá lei, justiça e respeito à Constituição”, declarou.
A presidente interina reforçou ainda que o país está aberto ao entendimento diplomático, mas não aceitará novas agressões externas.
Situação de Maduro
Delcy Rodríguez voltou a pedir a libertação de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, capturados em 3 de janeiro de 2026, quando os Estados Unidos lançaram uma operação militar e anunciaram que assumiriam temporariamente o governo do país até a conclusão de uma transição de poder.
Após a operação, Rodríguez, então vice-presidente, assumiu a presidência interina da Venezuela com o apoio das Forças Armadas.
Maduro e Cilia Flores prestaram depoimentos em um tribunal de Nova York, onde respondem a acusações de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ambos se declararam inocentes. A próxima audiência do caso está marcada para 17 de março.
Fonte: Agência Brasil