O crime organizado teve mais de R$ 900 milhões bloqueados em 2025

O crime organizado teve mais de R$ 900 milhões bloqueados em 2025

Gaeco ajuizou 70 denúncias contra 767 pessoas no ano passado

© MPSP

Porto Velho, RO - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) encerrou 2025 com resultados expressivos no enfrentamento financeiro às organizações criminosas que atuam no estado. Como resultado da atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi requerido ao Judiciário o bloqueio de R$ 906.265.077,21 em recursos vinculados a pessoas físicas e organizações criminosas.

Para alcançar esse resultado, o Gaeco aprimorou seus métodos de investigação, ampliou o intercâmbio de informações sobre crimes financeiros de alcance nacional e transnacional e firmou parcerias estratégicas que expandiram o alcance das ações. Um dos marcos foi o Acordo de Cooperação Técnica firmado em março de 2025 entre o MPRJ e a Polícia Civil, com foco na ampliação do confisco de bens nas investigações patrimoniais — instrumento considerado essencial para rastrear, bloquear e recuperar patrimônios ilícitos.

Segundo a coordenadora do Gaeco, a promotora de Justiça Letícia Emile Alqueres Petriz, o impacto da atuação vai além dos valores bloqueados.

“A asfixia financeira das organizações criminosas atinge seu núcleo de sustentação, enfraquecendo a capacidade de operação e expansão. A atuação do Gaeco é estrategicamente orientada para minar o poder econômico desses grupos, especialmente por meio da investigação patrimonial e da aplicação do confisco alargado, que permite retirar da criminalidade recursos obtidos de forma ilícita e impedir sua reinserção no circuito econômico”, afirmou.

Denúncias e operações

Ao longo de 2025, o Gaeco ajuizou 70 denúncias contra 767 pessoas, incluindo 120 agentes públicos, e obteve decisões judiciais que subsidiaram 39 operações voltadas ao cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão.

Entre as principais ações do ano, destacam-se:

    * o cumprimento de mandados contra investigados pelo homicídio do advogado Rodrigo Crespo;
    * operações contra uma organização criminosa envolvida no furto de petróleo bruto dos dutos da Transpetro, com atuação no Rio de Janeiro e em Minas Gerais;
    * a participação em ações conjuntas com outros ministérios públicos, como a Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra um esquema bilionário de adulteração e distribuição irregular de combustíveis.


Também merecem destaque as denúncias contra nove integrantes do chamado novo “Escritório do Crime”, incluindo três policiais militares; contra membros da nova cúpula do jogo do bicho, entre eles Rogério de Andrade, Flávio da Silva Santos, conhecido como “Pepé” ou “Flávio da Mocidade”, e Vinicius Drumond; além de 67 integrantes da facção criminosa Comando Vermelho.

Crimes envolvendo agentes públicos

O Gaeco também denunciou servidores públicos por crimes como peculato, corrupção, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e envolvimento com milícias. Entre os casos, estão:

    * denúncias contra 22 agentes do Degase, acusados de incitar internos do Centro de Socioeducação (Cense) Ilha do Governador à depredação da unidade;
    * acusações contra servidores e engenheiros do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), envolvidos em esquema de corrupção para emissão irregular de licenças ambientais;
    * denúncias contra três bombeiros militares de Cabo Frio e dois ex-secretários municipais de Silva Jardim, por crimes relacionados a licenças irregulares e fraudes em licitações.


Decisões judiciais relevantes

Ao longo do ano, o Gaeco obteve decisões judiciais favoráveis em diversas medidas cautelares, como:

    * a manutenção do contraventor Rogério de Andrade no Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS);
    *a permanência do miliciano Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, no Presídio Federal de Segurança Máxima de Brasília (DF);
    * a confirmação, em segunda instância, da sentença de pronúncia que levou Bernardo Bello e Wagner Dantas Alegre a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo homicídio do contraventor Alcebíades Paes Garcia (Bid), morto após assistir aos desfiles na Marquês de Sapucaí.


Atuação no ambiente digital

De acordo com Letícia Petriz, a criação do CyberGaeco reflete a adaptação necessária ao avanço das práticas criminosas no ambiente virtual.
“A iniciativa representa um passo estratégico para a modernização das investigações, diante da crescente atuação das organizações criminosas no meio digital. A experiência de outros ministérios públicos mostra que a especialização é fundamental para ampliar a efetividade das apurações, especialmente em crimes que envolvem tecnologia, criptomoedas e lavagem de dinheiro”, explicou.

Fonte: Agência Brasil

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