Porto Velho, RO - O Irã alertou países do Oriente Médio que abrigam tropas e bases militares dos Estados Unidos de que poderá retaliar diretamente essas instalações caso Washington avance com uma intervenção em apoio aos protestos no país. A informação foi repassada por um alto funcionário iraniano à agência Reuters, nesta quarta-feira (14).
Segundo três diplomatas ouvidos pela agência, militares americanos foram aconselhados a deixar temporariamente a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, considerada a principal instalação dos EUA na região. A medida foi descrita como uma “mudança de postura”, e não como uma retirada em larga escala, diferente do que ocorreu antes do ataque com mísseis iranianos no ano passado.
As tensões aumentaram após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem ameaçando intervir no Irã em apoio aos manifestantes. Em entrevista à CBS News, Trump afirmou que tomará “ações muito fortes” caso o regime iraniano execute manifestantes. Ele também incentivou a população a continuar os protestos, dizendo que “a ajuda está a caminho”.
Fontes iranianas afirmam que Teerã comunicou países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Turquia de que qualquer ataque americano ao Irã resultará em resposta direta contra bases dos EUA nesses territórios. Segundo uma dessas fontes, os contatos diretos entre o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensos.
A mídia estatal iraniana confirmou que autoridades de segurança e diplomacia mantêm conversas com governos da região para tentar evitar uma escalada do conflito. Ainda assim, o fluxo de informações internas no Irã segue limitado devido a restrições de internet impostas pelo governo.
De acordo com a organização de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos, ao menos 2.403 manifestantes foram mortos e mais de 18 mil pessoas presas desde o início da repressão. As autoridades iranianas acusam Estados Unidos e Israel de fomentarem os protestos e classificam parte dos manifestantes como terroristas.
Enquanto isso, manifestações pró-governo também foram registradas, e não há sinais de ruptura nas forças de segurança do país. O cenário ocorre em um momento de fragilidade regional do Irã, após conflitos recentes e o enfraquecimento de aliados estratégicos.
Na segunda-feira (13), Trump anunciou ainda tarifas de 25% sobre produtos de países que mantenham relações comerciais com o Irã e recomendou que cidadãos americanos deixem o país imediatamente.
Fonte: CNN Brasil